O Discord afirmou nesta terça-feira (15) que mantém sistemas para prevenir exploração e aliciamento de menores e que usa tecnologia para retirar conteúdos que descumpram suas regras. A declaração ocorre durante a segunda fase da Operação Lívia, que investiga redes cibernéticas acusadas de chantagear crianças e adolescentes.
A plataforma disse ter desativado, antes do episódio que deu origem às apurações, um servidor privado associado a atividades criminosas. Segundo a empresa, os fatos envolveram várias redes. O Discord também declarou que a atuação criminosa começou e continuou em outros aplicativos e redes sociais antes e depois do banimento dos suspeitos de seus servidores.
A empresa afirmou ainda ter cumprido os prazos das negociações com a Advocacia-Geral da União e informou que continua disponível para colaborar com as autoridades brasileiras. O caso também levou o Ministério da Justiça e a Advocacia-Geral da União a cobrarem explicações sobre verificação de idade e segurança de menores. A ANPD abriu um processo de fiscalização.
Nova fase da investigação
Coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, a operação cumpre seis mandados de busca domiciliar e seis medidas cautelares contra adolescentes em quatro estados e no Distrito Federal. A ofensiva é realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com participação das polícias civis da Bahia, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul, de São Paulo e do Distrito Federal. O Ciberlab, laboratório do ministério voltado a operações cibernéticas, também apoia os trabalhos.
A etapa atual surgiu da análise de celulares, computadores e mídias recolhidos na primeira fase. As provas digitais levaram os investigadores a novos suspeitos de administrar e moderar comunidades usadas para abordar, chantagear e coagir pessoas em situação de vulnerabilidade.
A polícia usa o termo “escravidão digital” para descrever a dinâmica de ameaças e controle atribuída aos grupos. As ordens poderiam envolver violência, misoginia, maus-tratos a animais e automutilação.
A investigação começou após a morte de uma adolescente de 13 anos, transmitida ao vivo no Discord. Conforme as apurações, ela tirou a própria vida depois de sofrer pressões, chantagens e ameaças. Em 4 de agosto, a primeira fase havia cumprido sete mandados pelo país.
Além das buscas, os agentes procuram possíveis vítimas para encaminhá-las às redes de proteção social e de saúde. A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e o Ministério da Justiça orientam pais e responsáveis a acompanhar o acesso de crianças e jovens a fóruns e grupos fechados em aplicativos de mensagens.








