A mudança para extinguir a jornada 6×1, em tramitação no Senado, reduziria imediatamente em 7,8% o total de horas trabalhadas no Brasil, segundo levantamento técnico da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para manter os níveis atuais de produção sem reduzir salários, seria necessário elevar a produtividade entre 8,3% e 8,5%.
A entidade calcula que a recomposição desse impacto pode levar de 17 a 30 anos. A estimativa considera o ritmo histórico da produção por hora trabalhada no país: entre 1981 e 2024, o crescimento médio foi de 0,5% ao ano. Nos últimos seis anos, a alta média ficou em 0,28%.
Efeito por setor
O esforço exigido seria maior em atividades com uso intensivo de mão de obra. O setor agropecuário precisaria obter um ganho de eficiência de 13,6% para compensar a redução das horas trabalhadas. No comércio, o avanço necessário seria de 10,6% para preservar as margens de rentabilidade.
No comparativo internacional elaborado pela CNI, o Brasil aparece na 100ª posição em produção por trabalhador e na 91ª colocação em rendimento por hora trabalhada.
Avaliação da CNI
O presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que a redução do tempo de trabalho depende de condições capazes de elevar a eficiência econômica. “O desafio é bem maior do que condensar em menos tempo o mesmo esforço”, declarou.
Alban também disse que uma redução de jornada imposta por lei afetaria empregos, salários e produção. A avaliação é que a discussão no Congresso Nacional precisa considerar a estrutura necessária para sustentar o funcionamento das empresas e manter os níveis de produção.







