Os investimentos na indústria extrativa brasileira cresceram 1.366,42% entre 1997 e 2024, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV). No mesmo intervalo, a indústria da transformação avançou 88,02%, enquanto o total investido na economia aumentou 60,02%. A expansão da atividade extrativa foi, portanto, 15 vezes maior que a registrada na transformação.
A análise faz parte do estudo “O destino dos investimentos”, elaborado por Claudio Considera, Bruno Tozzi Grandidier e Ana Letícia Branco. O levantamento avaliou a distribuição dos recursos entre diferentes atividades econômicas ao longo de um período extenso.
Recursos por atividade
Além das duas áreas industriais, o estudo calculou a evolução dos investimentos em máquinas e equipamentos, construção e na categoria “outros”, que reúne ativos tangíveis e intangíveis, como softwares e bancos de dados. Entre 1997 e 2024, esses segmentos tiveram altas de 88,61%, 26,62% e 141,99%, respectivamente.
Em valores, a formação bruta de capital fixo (FBCF), indicador usado para representar os investimentos na economia, alcançou R$ 251,4 bilhões em 2024. No ano seguinte, o total chegou a R$ 258 bilhões. O detalhamento por setor industrial, porém, está disponível até 2024.
Naquele ano, a indústria extrativa recebeu R$ 9,4 bilhões, contra R$ 41,2 bilhões destinados à transformação. Apesar de continuar menor em volume, o montante da extrativa mudou de patamar: em 1997, somava R$ 630,2 milhões. Na transformação, o valor era de R$ 21,9 bilhões.
Os pesquisadores apontam que a distribuição dos investimentos ocorreu de maneira desigual. A taxa anual de investimento permanece abaixo de 20% há 12 anos. A média calculada para o período entre 1996 e 2025 foi de 17,9% do PIB.
Para montar as séries, a equipe utilizou informações do Monitor do PIB, da FGV, das Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de pesquisas setoriais anuais do instituto. Os valores foram ajustados para preços constantes de 1995, já que as pesquisas têm anos-base finais diferentes.
Investimento e produtividade
Claudio Considera relaciona o desempenho mais fraco da transformação à menor aplicação de recursos em novas tecnologias. A participação do segmento no PIB, que chegou a 35% nos anos 80, estava em 13% — ou 13,7% até 2025 — no período mais recente citado no estudo.
Entre os fatores associados à redução dos investimentos na transformação, o pesquisador mencionou carga tributária elevada, juros altos e baixa exposição ao mercado externo. Já a indústria extrativa ampliou sua conexão com os mercados globais, especialmente por meio das commodities, como o minério de ferro.
A pesquisa também estimou a produtividade de algumas atividades com base no valor adicionado por trabalhador, usando séries das Contas Nacionais de 1995 a 2021. A produtividade da agropecuária subiu 216,8% no período, enquanto a da indústria caiu 5,3%.
Dentro da indústria, a produtividade da transformação recuou 7,2%, e a da construção diminuiu 16,7%. Em direção contrária, a indústria extrativa registrou crescimento de 120,2%.
Para Considera, o avanço da produtividade acompanha o maior volume de investimentos direcionado à atividade extrativa. “O que direciona o investimento é o lucro”, afirmou. O pesquisador também resumiu a situação da economia ao avaliar a taxa geral de investimento: “É uma taxa muito baixa”.







