O governo de Minas Gerais suspendeu o contrato de R$ 237,6 milhões firmado com a Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi). A entidade tem entre seus fundadores Adair Meira, preso em São Paulo sob suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A decisão foi determinada pelo governador Mateus Simões (PSD) após a divulgação do caso e uma denúncia apresentada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O acordo previa a execução do programa Evolução Jovem, voltado à inserção de 10.000 estudantes da rede estadual no mercado de trabalho. A contratação teria duração de dois anos.
Contrato e investigação
O termo foi assinado em março, durante a gestão de Romeu Zema (Novo), por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social. Inicialmente, o governo declarou que a contratação havia seguido os trâmites legais e que não existia impedimento para manter a parceria.
Depois da repercussão, o deputado estadual Professor Cleiton (PV) pediu ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) que investigassem o caso.
A Renapsi afirmou que não é alvo da investigação e que Adair Meira não ocupa cargo de gestão nem mantém vínculo administrativo com a organização. A defesa do empresário também declarou que ele não integra os quadros diretivos, administrativos ou operacionais da entidade.
A Polícia Civil, entretanto, diz que Meira é o “real dono” da Renapsi. Conforme as investigações, a organização teria sido usada para pagamentos de boletos da fintech 4TBank, criada por um integrante do PCC. Parte dos valores teria sido transferida para outras empresas do empresário, enquanto outra parcela teria sido entregue em espécie. Os recursos chegaram a ser transportados de helicóptero.
Em vídeo divulgado após a denúncia, Simões afirmou ter determinado a interrupção de qualquer pagamento à Renapsi e a suspensão do contrato. A Controladoria-Geral do Estado (CGE) foi acionada para analisar a existência de irregularidades. O governador também declarou: “A nossa tolerância para descaso, desvio, má-conduta é zero.”







