A disputa por 54 vagas no Senado em 2026 reúne o maior número de mulheres candidatas dos últimos 16 anos. Pesquisas recentes da Quaest, analisadas pelo cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), indicam que 15 candidatas aparecem em situação de favoritismo e outras 14 mantêm chances competitivas.
O número de candidatas pode alterar o recorde histórico da Casa. Se pelo menos dez mulheres forem eleitas em outubro, o resultado repetirá a proporção de 2014, quando cinco dos 27 senadores eleitos eram mulheres, o equivalente a 18,5%. A marca de maior número absoluto pertence a 2002 e 2010, anos em que oito senadoras chegaram ao Senado.
Onde estão as candidatas
O levantamento reúne nomes de diferentes correntes políticas. Em São Paulo, aparecem Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). No Rio de Janeiro, a candidata citada é Benedita da Silva (PT), enquanto Minas Gerais tem Marília Campos (PT). Manuela D’Ávila (PSOL) é apontada no Rio Grande do Sul; Gleisi Hoffman (PT), no Paraná; e Carol De Toni (PL), em Santa Catarina.
No Distrito Federal, estão Michelle Bolsonaro (PL), Leila do Vôlei (PDT), Erika Kokay (PT) e Bia Kicis (PL). Também aparecem Gracinha Caiado (União Brasil), em Goiás; Janaína Riva (MDB), em Mato Grosso; Soraya Thronicke (PSB), em Mato Grosso do Sul; Teresa Surita (MDB), em Roraima; Sílvia Cristina (PP), em Rondônia; e Rayssa Furlan (Podemos), no Amapá.
A lista inclui ainda Mara Rocha (Republicanos), no Acre; Roseana Sarney (MDB), no Maranhão; Zenaide Maia (PSD) e Samanda de Lula (PT), no Rio Grande do Norte; Marília Arraes (PDT), em Pernambuco; Marina JHC (PSDB), em Alagoas; e Luizianne Lins (Rede), no Ceará.
Disputa em vários campos políticos
As mulheres representam 22% das candidaturas, contra 78% dos homens. A proporção equivale a cerca de 3,5 homens para cada mulher na disputa.
Para Murilo Medeiros, o Senado ganhou protagonismo na relação entre os Poderes e no exercício de freios e contrapesos ao longo da última década. As siglas, segundo ele, passaram a lançar nomes de maior peso, entre os quais estão candidatas de esquerda, centro e direita.
“O crescimento feminino no Senado não está restrito a uma corrente ideológica”, afirmou Medeiros. Ele também apontou que as mulheres são a principal força eleitoral da base do governo Lula na corrida pelo Senado, enquanto candidatas ligadas ao campo bolsonarista aparecem à frente em diferentes localidades.
Entre os nomes jovens citados estão Janaína Riva, de 37 anos, e Marina JHC, de 35 anos. O cenário também inclui Roseana Sarney, ex-governadora do Maranhão; Rose de Freitas, ex-senadora capixaba; e Gracinha Caiado, ex-primeira-dama de Goiás.
A pesquisadora Carolina Botelho, do INCT/SANI, afirmou que o avanço ainda não representa a proporção das mulheres na sociedade. Para ela, a falta de recursos, apoio nas campanhas e incentivos nos espaços de decisão política continua limitando a presença feminina no Senado.






