GOIÂNIA — Conversas mantidas com outras mulheres foram encontradas no celular de um homem preso preventivamente em um hotel da capital. A Polícia Civil de Goiás vai analisar o conteúdo para verificar se há outras vítimas ou indícios de repetição de condutas semelhantes.
O homem, de 38 anos, é investigado por estelionato amoroso, chamado de golpe do Tinder. De acordo com a Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC), ele teria causado prejuízo de R$ 327.161,47 a uma mulher que conheceu pelo aplicativo de relacionamentos. Parte do dinheiro saiu da conta da avó da vítima.
Transferências durante o relacionamento
Segundo a investigação, os dois mantiveram um relacionamento por cerca de um ano. Durante esse período, o suspeito dizia trabalhar com investimentos financeiros e recebia valores sob a promessa de aplicar o dinheiro e devolvê-lo com rendimentos.
No começo, ele teria investido uma quantia e devolvido um valor ligeiramente maior. A movimentação teria criado confiança e levado a vítima a repassar valores cada vez mais altos. Depois, os retornos deixaram de ocorrer.
A última transferência foi feita em 9 de junho de 2026, no valor de R$ 14 mil. O investigado teria dito que precisava do dinheiro para pagar taxas relacionadas a uma TED que quitaria os valores devidos. Após receber a quantia, deixou Goiânia em direção a Foz do Iguaçu, com indicativos de que teria seguido para o Paraguai. Em seguida, interrompeu o contato e bloqueou a vítima nos aplicativos e em outros canais.
Prisão preventiva
A delegada Lara Soares, da DEIC, afirmou que a vítima procurou a polícia em junho deste ano. Ela relatou que o relacionamento começou no final de 2024 e continuou durante o ano de 2025. “A vítima começou a ter um namoro com ele, tendo encontros, um relacionamento que durou durante um ano”, disse a delegada.
Com os elementos reunidos, a polícia pediu a prisão preventiva, mandados de busca e apreensão e medidas para localizar e bloquear bens e valores ligados ao caso. A solicitação foi apresentada à Vara de Violência Doméstica porque a investigação trata os fatos como violência patrimonial.
A decisão considerou que o investigado já respondeu a outros casos de estelionato, teve outras prisões decretadas e teria fugido após a transferência. Depois de diligências, os policiais descobriram que ele havia voltado a Goiânia e fizeram a prisão.
A investigação também vai considerar outros registros policiais ligados a estelionato. Sobre as mulheres encontradas nas conversas, Lara Soares declarou: “A gente não sabe ainda se essas mulheres foram ou não enganadas”.







