MULUNGU — A Polícia Civil da Paraíba prendeu Jorlan Lopes da Silva, de 33 anos, após uma operação de cerca de 48 horas no Agreste da Paraíba. O homem é investigado por participação em pelo menos 16 homicídios no Vale do Mamanguape e afirmou, durante o interrogatório, ter matado cerca de 80 pessoas ao longo da vida.
A declaração ainda não foi confirmada. Os investigadores confrontam o relato com inquéritos, registros de homicídios e provas técnicas. “É um número muito expressivo. Nós acreditamos que, se não for esse número, é algo muito próximo disso”, disse o delegado Douglas Garcia.
Identificação por tatuagem
Jorlan tentou evitar o reconhecimento usando roupas femininas, peruca, sandálias, óculos escuros e unhas pintadas. Ele também carregava no colo uma criança de aproximadamente dois anos, que, segundo a investigação, não tem parentesco com ele.
A caracterização teria permitido que o suspeito passasse pelos policiais sem ser identificado. Depois, conforme o relato do delegado responsável pelo caso, ele voltou ao imóvel onde estava escondido, deixou a criança no local, pegou um revólver e saiu. O vestido se deslocou durante a movimentação e revelou uma tatuagem, que chamou a atenção dos agentes.
A Polícia Civil ainda apura como a criança foi parar com Jorlan. O suspeito foi preso no domingo, 13, em Mulungu. Ele tinha um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça da Paraíba.
Crimes investigados
Segundo a Polícia Civil, Jorlan ficou aproximadamente cinco ou seis anos preso e deixou o sistema prisional em maio de 2026. Desde o fim daquele mês até a prisão, em setembro, passou a ser investigado por 16 homicídios.
Entre os casos está a morte de dois comerciantes em 1º de agosto, em Rio Tinto, no Litoral Norte da Paraíba. A suspeita é que Jorlan tenha participado da ação com outros quatro homens. Os investigadores também apuram a possível ligação dele com a morte de uma jovem. De acordo com Douglas Garcia, o próprio suspeito teria apontado o lugar onde o corpo estava enterrado.
A polícia também investiga uma possível ligação de Jorlan com uma facção criminosa originária do Rio de Janeiro e atuante na Paraíba. Após fugir de uma ação policial em Rio Tinto, ele teria se escondido em uma comunidade de Cabedelo, na Grande João Pessoa, apontada como área de atuação da organização.
O trabalho de inteligência levou os agentes ao imóvel onde ele estaria escondido. Depois, os policiais identificaram que Jorlan teria seguido de Cabedelo para Mulungu com integrantes do grupo. Com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o veículo usado pelos suspeitos foi localizado. Um homem acabou detido durante uma abordagem, mas Jorlan conseguiu fugir.
A operação terminou com a prisão de Jorlan e de outros dois homens. Segundo o delegado Marcos Paulo Sales, os três são suspeitos de integrar a mesma organização criminosa. Na terça-feira, 15, Jorlan foi encaminhado ao Presídio Sílvio Porto, em João Pessoa.
A investigação ainda busca verificar se a afirmação sobre cerca de 80 homicídios tem respaldo nos elementos reunidos pela Polícia Civil. O delegado também informou que Jorlan declarou ter cometido o primeiro homicídio aos 13 anos.







