O bitcoin voltou a superar US$ 86 mil, atingindo o maior nível desde janeiro, após meses de pressão vendedora. A valorização ocorreu em um cenário de maior apetite por risco nos mercados globais e de sinais mais favoráveis ao setor de criptoativos nos Estados Unidos.
A movimentação regulatória teve avanços e recuos. Na semana passada, o Senado dos EUA não levou adiante o Clarity Act, projeto que pretende criar regras mais claras para os ativos digitais. Depois, a SEC abriu espaço para a negociação de ações americanas tokenizadas com uma isenção regulatória de cinco anos. A medida foi recebida positivamente pelo setor.
Liquidações e entrada de recursos
A alta também foi impulsionada pelo fechamento de posições vendidas, movimento conhecido como “short squeeze”. Aproximadamente US$ 648 milhões dessas posições foram liquidados no mercado de criptomoedas, incluindo cerca de US$ 278 milhões em bitcoin.
Os ETFs à vista de bitcoin nos Estados Unidos registraram entrada de US$ 433 milhões na última sexta-feira. No dia anterior, o fluxo havia sido de US$ 159 milhões. Para Noah Cheung, country manager da Bitget no Brasil, esses fundos são uma das principais formas de exposição dos investidores institucionais ao bitcoin, e a retomada dos aportes indica demanda pelo ativo.
A Strategy, maior companhia de capital aberto em bitcoins, comunicou a compra de mais 950 unidades por US$ 75,7 milhões. Com a operação, passou a deter 846 mil bitcoins. A Strive anunciou a aquisição de outras 1.355 unidades.
O ambiente internacional ajudou a sustentar o movimento. O petróleo recuou pelo quarto pregão seguido diante da expectativa de avanços diplomáticos no conflito entre EUA e Irã. A queda reduziu parte das preocupações relacionadas à inflação e aos juros. No mesmo período, o Nasdaq subiu 2,3%, no melhor desempenho desde agosto.
Gabriel Dellatorre, sócio da Vault Capital, avaliou que a recuperação não confirma, necessariamente, um novo ciclo prolongado de alta. Para ele, o cenário se assemelha ao observado após as quedas de 2019 e 2022, quando fortes recuperações foram seguidas por meses de preços mais laterais antes de uma tendência definida.







