A Telefônica aposta em inteligência artificial, expansão de redes e novos serviços para sustentar o crescimento no Brasil. A estratégia inclui três agentes de IA em teste para atendimento ao cliente, investimentos em fibra óptica e 5G e a oferta de soluções para empresas e consumidores.
O desempenho financeiro de 2025 levou a companhia ao primeiro lugar no setor de TI e telecomunicações no anuário Valor 1000. A receita total chegou a R$ 59,6 bilhões, alta de 6,7% em relação ao ano anterior. O lucro líquido avançou 41,7%, para R$ 6,2 bilhões. O Ebitda foi de R$ 24,8 bilhões, crescimento de 8,5% sobre 2024, com margem de 41,7%.
Redes e serviços para diferentes perfis
A Vivo Total concentra parte dos investimentos em redes de 4G, 5G e fibra óptica. Em 2025, a Telefônica aportou R$ 9,3 bilhões no Brasil. No primeiro semestre de 2026, foram R$ 4,6 bilhões, alta de 7,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.
A cobertura 5G alcança 978 municípios, onde vivem 73% dos brasileiros. A fibra óptica chega a 32 milhões de domicílios. A Vivo soma mais de 116 milhões de acessos no país, sendo 103 milhões móveis, e cerca de 60 milhões de clientes. Desse total, 58 milhões são pessoas físicas e 2 milhões são empresas. A base também inclui 8,2 milhões de assinantes de fibra, enquanto 65% dos clientes contratam diferentes serviços.
O Vivo Max reúne ofertas de computação em nuvem, cibersegurança, internet das coisas, inteligência artificial e casa conectada. A plataforma também abrange serviços ligados a entretenimento, saúde, educação e finanças. Entre os contratos está um acordo de R$ 3,8 bilhões com a Sabesp para substituir 4,4 milhões de hidrômetros por dispositivos inteligentes em São Paulo e São José dos Campos.
Esses serviços respondem por 12,2% da receita total da Telefônica. De acordo com Christian Gebara, a relação entre Capex e receita, que já passou de 20%, está hoje em torno de 15,5%. A empresa também ampliou a atuação em acessórios com a marca Ovvi e a aquisição da i2GO, chegando a mais de 20 mil pontos de venda no país.
Inteligência artificial no atendimento
A jornada de IA da companhia inclui a assistente Aura, disponível no WhatsApp desde 2018, e uma estrutura de organização de dados conhecida como data lake. Em agosto, estavam em teste três agentes para atendimento: um dedicado a contas, outro a problemas técnicos e um terceiro a mudanças de plano.
A proposta é substituir a Unidade de Resposta Automática. Segundo Gebara, a Telefônica espera elevar a resolutividade de perto de 50% para aproximadamente 70%. A empresa também realizou uma prova de conceito de gêmeo digital em Itu, em São Paulo, para otimizar a configuração da rede.
No primeiro semestre de 2026, a receita líquida somou R$ 31,2 bilhões, avanço de 7,5% sobre o primeiro semestre de 2025. O lucro líquido foi de R$ 2,8 bilhões, também com expansão de 7,5%. O Ebitda chegou a R$ 12,8 bilhões, alta de 9,9%. No segundo trimestre, o indicador cresceu 10,9% na comparação anual e totalizou R$ 6,6 bilhões.
Indicadores sociais e ambientais
A Telefônica registrou índice de perda de clientes de 1% no pós-pago e de 1,4% entre assinantes de fibra em 2025. Na agenda social, ações da Fundação Telefônica beneficiaram 2,4 milhões de educadores e estudantes ao longo do ano.
O programa Vivo Recicle recolheu 45 toneladas de eletrônicos devolvidos à cadeia produtiva por meio de 1,8 mil lojas. Na diversidade, metade das vagas de estágio e trainee é destinada a profissionais negros, que ocupam 34,7% das posições de liderança. As mulheres representam 39,1% da liderança executiva e 42% das cadeiras do conselho de administração.
A companhia também mantém o projeto Floresta Futuro Vivo em Paragominas, no Pará. A iniciativa prevê o plantio de 900 mil mudas de árvores nativas para reflorestar 800 hectares, em uma área adotada por 30 anos. O projeto deve beneficiar mais de 25 espécies ameaçadas de extinção. “Cerca de 11% dos funcionários da casa se declaram LGBTQ+, por sentirem liberdade de serem o que são”, afirmou Christian Gebara.







