RIO DE JANEIRO — Uma obra de Rodrigo Cass permanece em cartaz no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) desde o último sábado, 12. A instalação, intitulada Manifestação Revolução Mística, reúne sete vídeo-esculturas, uma assemblage e duas pinturas-relevo criadas para a 39ª edição do Panorama.
Cass morreu aos 43 anos na última quinta-feira, 17, depois de se afogar na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. A galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, que representava o artista, confirmou a morte e informou que ele foi vítima de um acidente.
Pesquisa entre matéria e espírito
O artista desenvolveu trabalhos relacionados à abstração, investigando as dimensões espirituais da cor e da forma. Sua produção combinava materiais como concreto, fibra de vidro e linho e também incluía vídeos projetados sobre suportes escultóricos.
Nessas obras, ações repetitivas avançam em ritmo controlado e apresentam transformações graduais: materiais mudam de estado, se acumulam, se desgastam ou se recombinam. A galeria descreveu sua pesquisa como voltada à relação entre matéria e espírito.
Antes de seguir pelas artes visuais, o paulistano integrou a Ordem do Carmo como religioso carmelita entre 2000 e 2008. Ele se formou em Artes Visuais pela Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, e construiu uma trajetória de mais de duas décadas, com exposições individuais no Brasil e no exterior.
Exposições e acervos
A exposição individual Geometria Sensível foi apresentada em Portugal este ano. Cass também teve trabalhos exibidos na França e nos Estados Unidos.
Além do MAM-SP, obras do artista fazem parte dos acervos do Museu de Arte da Pampulha, em Minas Gerais, e do Centre Pompidou, em Paris.
Em comunicado, a Fortes D’Aloia & Gabriel lamentou a morte e destacou a produção de Cass na arte contemporânea brasileira. A galeria afirmou que sua obra reunia relevos, fotografias e vídeo-esculturas, com referências à iconografia católica clássica, à tradição neoconcreta brasileira e à repetição corporal da performance.








