Thiago Lacerda contou que a comparação com Tarcísio Meira começou quando ele ainda tinha sete anos. Uma professora de matemática o viu pela primeira vez na escola e disse: “Menino, você é a cara do Tarcísio Meira”. O apelido continuou ao longo da vida e voltou quando Lacerda estreou na televisão.
O ator afirmou que recebeu com carinho a proximidade com Tarcísio e Glória Menezes. Segundo ele, a relação nunca foi vista como provocação ou peso, mas como uma oportunidade que trouxe responsabilidade. Lacerda também disse sentir saudades e contou que falou recentemente com a família por ocasião da morte de Glória.
Encontros na televisão e no cinema
A parceria entre os dois atores aconteceu primeiro em “O Beijo do Vampiro”, em que interpretaram antagonistas. Lacerda teve algumas cenas com Tarcísio e se aproximou especialmente de Glória nos bastidores. Depois, em “Páginas da Vida”, os dois viveram pai e filho, com cenas planejadas pelo autor Manoel Carlos para aproximar os personagens.
Lacerda recordou que levava leite com caramelo para Tarcísio durante as gravações. A receita, que ele acredita ter sido criada por Manoel Carlos, também foi preparada para os filhos do ator. Para Lacerda, dividir cenas sobre amizade, paternidade e amor entre pai e filho com Tarcísio foi uma experiência marcante.
A ligação entre os dois também apareceu no cinema. Ao ser convidado por Jaime Monjardim para interpretar Capitão Rodrigo em “O Tempo e o Vento”, Lacerda se lembrou da atuação de Tarcísio no papel. Depois de contar ao veterano que faria o personagem, ouviu dele: “Você vai fazer muito bem, está na idade para fazer!”.
Aprendizados com atores veteranos
Lacerda afirmou que sua formação aconteceu durante o trabalho, já que não tinha estudado para ser ator. Em “Hilda Furacão”, encontrou Mário Lago e Paulo Autran. Aos 19 anos, sentia dificuldade até para conversar com Mário, embora os dois voltassem juntos de van para casa. O ator disse que observava o colega e reconhecia a dimensão daquela oportunidade.
Com Paulo Autran, Lacerda viveu uma das principais aulas de sua carreira. Antes de uma cena, Autran perguntou se ele havia decorado o texto e o que pensava sobre o personagem. Ao admitir que não sabia responder, ouviu o convite para se sentar. Paulo passou a cena de quatro maneiras diferentes e, ao terminar, entregou o texto ao jovem ator.
Depois disso, Lacerda passou a acompanhar os dias de gravação de Paulo no Projac. Mesmo quando não trabalhava, ia ao local e observava o veterano conversar, estudar, trocar de roupa e se preparar. Para ele, Autran era um ator dedicado à palavra e ao ofício.
Lacerda resumiu a trajetória como uma sequência de encontros que o fizeram se sentir privilegiado e grato pelas oportunidades de aprender com atores que admirava.







