A transformação de reservas minerais em produtos de maior valor agregado é um dos principais desafios do Brasil, apesar da vantagem do país em recursos naturais e energia renovável. A avaliação foi apresentada por especialistas durante o painel “Segurança Energética, Minerais Críticos e Cooperação Brasil - EUA”, do Fórum Agenda Global 2026.
Daniel Slaviero, presidente da Copel, afirmou que o país precisa ampliar sua capacidade de refino e processamento, etapa em que a China tem vantagem competitiva. Para ele, também é necessário atrair tecnologia para essa fase da cadeia.
O avanço da mineração até a fabricação de produtos finais é uma dificuldade compartilhada por outros países, incluindo os Estados Unidos, segundo Gracelin Baskaran, diretora do programa de minerais críticos do Center for Strategic and International Studies (CSIS). Ela considera que o Brasil tem características próprias para participar desse processo.
A especialista defendeu a integração entre os diferentes setores envolvidos. Na produção de baterias, mineradoras e fabricantes precisam atuar em conjunto, inclusive porque o transporte está entre os custos mais altos desse produto. “Construir baterias não é algo que as mineradoras ou que as fabricantes de baterias possam fazer sozinhas”, disse Baskaran.
Entre as medidas recentes citadas no debate estão a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, publicada na quarta-feira (16) pelo governo federal, e o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que prevê incentivos fiscais para a instalação de data centers no país.
Para Pablo Cesário, presidente-executivo interino do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a política representa uma mudança por incluir não apenas a mineração, mas também o desenvolvimento industrial, o financiamento de tecnologia e o fortalecimento da cadeia produtiva.
A política prevê ainda o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce). O órgão deverá avaliar operações consideradas sensíveis à soberania nacional e coordenar decisões sobre plantas industriais, fundições, refinarias e incentivos para diferentes cadeias.
A criação do conselho inicialmente gerou preocupação no setor, mas recebeu avaliação positiva do Ibram. Cesário afirmou que estruturas de governança semelhantes foram adotadas por Estados Unidos, países europeus e Austrália. A política ainda precisa ser regulamentada, e o instituto espera que essa discussão avance rapidamente.







