ESTADOS UNIDOS — Jornalistas da CNN, MS NOW e Politico foram impedidos de acessar a Casa Branca depois que o governo do presidente Donald Trump acusou os veículos de divulgar “fake news”. A decisão foi anunciada na sexta-feira, 18, e aplicada no sábado, 19, com a desativação ou o confisco das credenciais dos profissionais.
Trump afirma que a medida não representa um ataque à imprensa livre. Para o presidente, trata-se de uma ação contra notícias falsas, que ele chegou a classificar como uma ameaça à segurança nacional.
O episódio estabelece uma relação direta com o 9º episódio da segunda temporada de Andor. Na série, a líder da resistência, Mon Mothma, alerta para o risco de a sociedade perder uma realidade objetiva. A produção se passa no universo de Star Wars, franquia que traz mensagens e analogias políticas desde sua origem.
Quem fiscaliza o poder
A imprensa não é dona da verdade nem tem o monopólio da realidade. Jornalistas erram, corrigem informações, divergem e carregam vieses. Ainda assim, o jornalismo pode confrontar versões oficiais, consultar documentos, ouvir posições divergentes, investigar fatos e publicar informações que desagradam aos governantes.
O alerta apresentado por Tony Gilroy, diretor e roteirista da série, ganha força quando um governante decide quais veículos podem ter acesso ao poder com base no conteúdo de suas reportagens. Presidentes podem contestar notícias, apresentar documentos, solicitar correções e recorrer à Justiça. A questão colocada é a possibilidade de o próprio alvo da fiscalização escolher quem terá condições de fiscalizá-lo.
A retirada de uma credencial, a recusa de uma entrevista como punição, a exclusão de um veículo ou a transformação de uma reportagem inconveniente em “mentira” são apresentadas como formas pelas quais a liberdade de imprensa pode ser enfraquecida, sem que jornais sejam fechados ou jornalistas sejam presos.
A busca pela verdade
Na avaliação expressa pelo episódio, o controle sobre o que pode ser visto, divulgado, perguntado e conhecido reduz a capacidade da sociedade de acompanhar os atos de quem governa. Em Star Wars, o Império também depende do medo, da propaganda e do controle da compreensão dos cidadãos sobre o mundo.
Defender o jornalismo livre não significa colocá-lo acima de críticas. Uma imprensa que fiscaliza também deve responder por seus erros. A liberdade vem acompanhada de responsabilidade.
A fala de Mon Mothma resume o alerta: “A morte da verdade é a vitória definitiva do mal.” O problema, nessa leitura, não é apenas a circulação de uma informação falsa, mas a possibilidade de o poder determinar o que pode ser visto e ouvido e, assim, definir quem tem autoridade para estabelecer a verdade.







