GOIÁS — Luis Cesar Bueno aparece em quarto lugar na pesquisa Directa mais recente para o governo de Goiás, com 4,6% das intenções de voto. Wilder Morais, candidato do PL associado ao bolsonarismo no Estado, está em terceiro, com 15,5%. Daniel Vilela (MDB) lidera, com 44,6%, seguido por Marconi Perillo (PSDB), com 19,7%.
A diferença entre os dois candidatos do campo oposicionista ao governo estadual ajuda a explicar a mudança de postura adotada por Bueno na reta final da campanha. Escolhido para representar o palanque de Lula da Silva em Goiás, o petista passou a elevar o tom contra Wilder Morais depois de concentrar boa parte das críticas em Daniel Vilela.
Escolha do candidato
A deputada federal Adriana Accorsi era a opção preferida do PT para disputar o Palácio das Esmeraldas, mas decidiu tentar a reeleição para a Câmara dos Deputados. Aava Santiago (PSB), vereadora apontada como outra possibilidade, também escolheu buscar uma vaga na Câmara.
Com a saída das duas, o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno foi escolhido para a disputa. Uma pesquisa qualitativa encomendada pelo PT teria indicado que a escolha do candidato ao governo e a candidatura de Lula à reeleição provocariam efeito praticamente nulo em Goiás. O cenário reduziu a expectativa de transferência automática de votos entre as disputas estadual e presidencial.
Críticas a Wilder Morais
Em debates e sabatinas, Bueno começou a fazer críticas mais diretas ao candidato do PL. Em um debate, reproduziu uma declaração de Ronaldo Caiado, do PSD, que chamou Wilder Morais de “frouxo” durante uma discussão sobre câmeras nas fardas policiais. Também mencionou que Caiado teria chamado Flávio Bolsonaro de “maior bandido do Brasil”. Na mesma declaração, porém, o governador também havia criticado Lula da Silva.
O petista ainda questionou a relação entre a Orca Construtora, de propriedade de Wilder Morais, e o Banco Master. A empresa teria sido contratada pela Cedro Participações para construir o prédio que abrigaria a Oncoclínicas em Goiânia. A Cedro pertence a Lucas Kallas, apontado como próximo de Daniel Vorcaro.
Outro alvo de Bueno foi a política para minerais críticos. O candidato afirmou que Wilder Morais pretende entregar “de graça” as riquezas minerais brasileiras aos Estados Unidos.
Reação tardia
Petistas reconhecem que o confronto começou tarde, mas avaliam que a mudança ainda pode ser aproveitada na reta final. A leitura é que o marketing da campanha demorou a colocar Wilder Morais no centro da estratégia, embora ele seja o candidato local mais diretamente associado ao principal adversário nacional de Lula, Flávio Bolsonaro.
Em 2018, Kátia Maria teve 9,16% dos votos válidos na disputa pelo governo de Goiás. Em 2022, Wolmir Amado alcançou 6,98%. Bueno está abaixo desses resultados nas pesquisas mencionadas no texto, enquanto Lula aparece atrás de Ronaldo Caiado e de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto para a Presidência em Goiás.
A campanha petista terá os próximos 14 dias para tentar ampliar a presença de Bueno na disputa estadual e vinculá-lo ao confronto nacional entre Lula e Flávio Bolsonaro. Até agora, a candidatura teve pouco impacto aparente sobre a corrida presidencial no Estado.







