GOIÁS — A falta de comunicação com aliados e eleitores é apontada pelo cientista político Guilherme Carvalho como um dos principais problemas da campanha de Wilder Morais (PL) ao governo de Goiás. Na avaliação dele, o candidato não se posiciona de forma clara no campo bolsonarista nem apresenta uma alternativa própria, o que contribui para a estagnação de sua candidatura.
Carvalho afirma que a disputa deve ser observada pelo conjunto dos movimentos da campanha, e não apenas por uma pesquisa. Para ele, Wilder não tem conseguido transformar o apoio potencial da direita em mobilização nas ruas. A ausência de um personagem central do bolsonarismo também teria deixado o grupo mais parado.
Os obstáculos dos adversários
O cientista político considera que Marconi Perillo (PSDB) se apoia no reconhecimento acumulado de sua trajetória, mas enfrenta um limite de crescimento e rejeição elevada. Segundo Carvalho, o tucano parece concentrado no primeiro turno e não construiu uma estratégia clara para uma eventual segunda etapa.
Daniel Vilela (MDB), por outro lado, avançaria conforme os eleitores definem o voto. Carvalho atribui parte desse movimento à menor rejeição do candidato e à proposta de continuidade do governo de Ronaldo Caiado, que teve 88% de avaliação boa ou ótima. Daniel também tenta associar a candidatura a temas e marcas próprias, como inteligência artificial, Pequi Bank e segurança pública.
A avaliação é que Daniel conseguiu assumir uma postura de liderança e apresentar-se como alguém preparado para dar sequência ao governo. Carvalho também cita a capacidade de incorporar diferentes grupos à campanha sem romper bases políticas importantes.
Redes sociais e campanhas
Para Carvalho, as campanhas continuam repetindo fórmulas antigas, com as mesmas músicas, danças e estratégias de divulgação. O problema, segundo ele, não está necessariamente em contratar profissionais de fora de Goiás, mas em não estudar públicos diferentes, experiências internacionais e novas formas de comunicação.
Ele critica a concentração de tarefas em um único profissional, chamado por ele de marqueteiro que faz tudo, e defende uma divisão mais clara entre marketing, logística, plano de governo e organização política. Na visão do cientista político, mensagens pouco dinâmicas ajudam a explicar o desinteresse de parte do eleitorado.
Carvalho também afirma que o voto regional não é automaticamente definido pelas preferências nacionais. Em eleições locais, o eleitor tende a considerar sua realidade econômica e administrativa; no plano nacional, pesam mais as escolhas ideológicas. Por isso, a posição de Caiado na disputa presidencial não determinaria, por si só, o desempenho de Daniel.
Disputa nacional
Na análise sobre o cenário brasileiro, Carvalho diz que o petismo corre risco de perder espaço como principal força de liderança da esquerda, enquanto o bolsonarismo demonstra resiliência e pode ser reorganizado em outro campo político.
Ele classifica a polarização atual como afetiva e afirma que muitos eleitores mantêm apoio a seus grupos mesmo diante de denúncias. A decisão, em muitos casos, seria orientada por amor ou rejeição ao adversário, e não apenas por propostas.
Entre os temas nacionais, Carvalho aponta a situação fiscal como a questão que deveria receber mais atenção. Ele cita o endividamento, os juros, a Previdência e a redução do espaço para gastos discricionários. Também defende uma reforma administrativa e afirma que o próximo presidente terá menos margem para governar.







