A candidatura de Wilder Morais ao Governo de Goiás enfrenta resistência dentro do próprio PL. Prefeitos da legenda mantêm apoio ao governador Daniel Vilela (MDB), enquanto o deputado federal Gustavo Gayer tenta preservar sua relação política com esses gestores e concorre ao Senado pelo partido.
O caso mais conhecido é o de Márcio Corrêa, prefeito de Anápolis, que continua filiado ao PL e declarou apoio à reeleição de Daniel Vilela. Gayer disse ter conversado com o prefeito e recomendado que ele não anunciasse apoio ao governador ou adotasse uma posição neutra. Apesar da divergência, afirmou que Corrêa continua sendo um aliado importante em sua campanha.
“Ele é um cara de direita, uma peça fundamental da minha campanha hoje, uma das pessoas que mais me apoiam”, declarou Gayer.
A direção estadual do PL abriu processo disciplinar contra Corrêa por possível infidelidade partidária. Gayer e outras lideranças, porém, defenderam que o episódio seja conduzido pelo diálogo.
Prefeitos divididos
Anápolis é a terceira maior cidade de Goiás, e a situação de Corrêa não é isolada. Um levantamento anterior identificou cinco prefeitos do PL apoiando Daniel Vilela e oito alinhados a Wilder Morais. Entre os gestores favoráveis ao emedebista estavam Carlinhos do Mangão, de Novo Gama; Dr. Luis Otávio, de Cristalina; Tiagão, de Pilar de Goiás; e Simone Ribeiro, de Formosa.
O quadro mudou depois. Parte dos prefeitos eleitos pelo PL em 2024 deixou a sigla e foi para partidos da base governista. Outros permaneceram na legenda, mas passaram a apoiar Daniel. No fim de agosto, quatro prefeitos ainda filiados ao PL apareciam nessa posição: Márcio Corrêa, Carlinhos do Mangão, Dr. Luis Otávio e Alzemar Neto, de Campo Limpo de Goiás.
A divisão interfere na estratégia de Wilder porque os prefeitos organizam alianças locais, mantêm influência sobre vereadores e lideranças e ajudam na formação de palanques e na mobilização eleitoral. Assim, a candidatura oficial do PL não garante apoio uniforme nos municípios.
Alianças para diferentes cargos
A separação também ocorre entre prefeitos que apoiam Wilder para o governo, mas podem se aproximar de nomes ligados ao grupo de Daniel nas eleições proporcionais. Em julho, Maycllyn Carreiro, de Morrinhos, e Paulo Trabalho, de Posse, foram citados como exemplos dessa possibilidade.
Para Gayer, a prioridade é manter a unidade da direita e da centro-direita nas disputas nacionais, inclusive com uma eventual união no segundo turno. No cenário estadual, entretanto, o PL segue dividido entre a candidatura oficial de Wilder e alianças municipais com Daniel Vilela.








