Entre as promessas associadas ao bolsonarismo estão a libertação de Jair Messias Bolsonaro, a interrupção de avanços no salário mínimo e o abandono da redução da jornada de trabalho. A análise também alerta para o risco de desrespeito às instituições da República e de retrocessos nas políticas voltadas às necessidades populares.
O candidato do bolsonarismo teria afirmado que seu primeiro ato seria tirar da prisão o pai e ex-presidente da República, condenado por tentativa de golpe de Estado e supressão da democracia. A partir daí, segundo a avaliação, o grupo pretendia iniciar o desmonte de medidas adotadas durante o governo Lula.
Entre as mudanças mencionadas estão o fim da expectativa de redução da jornada de trabalho, incluindo o fim da escala 6×1, o encerramento dos reajustes do salário mínimo acima da inflação e a retomada da cobrança de imposto de renda sobre quem ganha até cinco mil reais. O texto estima que essas medidas beneficiem aproximadamente 120 milhões de brasileiros, entre trabalhadores e pessoas que vivem em seus domicílios.
Disputa eleitoral
A preocupação é relacionada à evolução das pesquisas eleitorais. A vantagem de Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro teria passado de oito pontos percentuais para nenhum em pouco mais de dois meses, a poucos dias do primeiro turno. A análise afirma que, faltando menos de 15 dias para a votação, o resultado poderia abrir caminho para um período mais grave do que o vivido entre 2018 e 2022.
O cenário descrito inclui a migração de indecisos e eleitores descontentes com Lula em direção ao bolsonarismo. Caso parte desse grupo não mudasse de posição até 4 de outubro, a avaliação previa uma catástrofe com consequências possivelmente inéditas.
Instituições sob pressão
Além das medidas econômicas e trabalhistas, a análise aponta para uma disposição de rejeitar decisões tomadas pelas instituições do Estado democrático de direito. Líderes, pastores e ideólogos do movimento são apresentados como defensores da ideia de que as instituições da República não mereceriam respeito quando contrariassem seus interesses.
O texto também associa a força do grupo à frustração e ao rancor de seus seguidores. Nesse diagnóstico, a combinação entre a mudança no quadro eleitoral e a disposição de confrontar as instituições poderia representar mais um recuo no processo civilizatório.
A comparação alcança ainda o cenário internacional: a análise menciona a possibilidade de um partido de ultradireita voltar ao comando da Alemanha pela primeira vez desde 1945, com promessas de deportações em massa. O paralelo é usado para situar o avanço da ultradireita brasileira em um contexto mais amplo.







