RIO DE JANEIRO — O desfile da Acadêmicos de Niterói, que levou à Marquês de Sapucaí um enredo sobre a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, passou a ser analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A ação questiona a participação do presidente e acusa Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin de suposto abuso de poder político e econômico, além de uso indevido dos meios de comunicação.
A escola apresentou, em 15 de fevereiro, o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A narrativa percorreu momentos da vida do presidente, desde a infância em Pernambuco até a trajetória política. Lula assistiu ao desfile em um camarote da Sapucaí e não participou diretamente da apresentação.
Recursos e exposição eleitoral
A representação também levanta dúvidas sobre recursos públicos ligados ao desfile. Os autores sustentam que houve repasses depois da escolha do tema pela escola. A defesa da utilização do dinheiro afirma que os valores integram o financiamento destinado às agremiações para a realização do Carnaval.
Os responsáveis pela ação ainda questionam a divulgação da apresentação na televisão e na internet. Para eles, a transmissão teria garantido exposição eleitoral antecipada a Lula, que é candidato à reeleição.
Durante o desfile, o ator Paulo Vieira interpretou o presidente, enquanto a atriz Dira Paes representou a mãe de Lula.
Tramitação no tribunal
O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, determinou o prosseguimento do processo na sexta-feira, 18. Com a decisão, Lula e Alckmin serão notificados para apresentar defesa.
O recebimento da representação não significa que a Justiça Eleitoral tenha concluído pela existência de irregularidades. Depois das manifestações das partes, caberá ao TSE avaliar as acusações e decidir se houve infração eleitoral no episódio.








