MATA DE SÃO JOÃO (BA) — O governo trabalha em novas medidas para conter o endividamento das famílias ligado às casas de apostas esportivas, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Ele disse que o Executivo estuda novas “vacinas” para proteger o poder de compra e pretende endurecer as regras para as bets.
Durigan classificou o avanço das apostas como uma “pandemia herdada” e afirmou que a regulamentação começou a ser encaminhada. Entre as medidas já adotadas estão a cobrança de tributos de 15% sobre o GGR (Gross Gaming Revenue) e a proibição da participação de beneficiários do Bolsa Família, do BPC e de pessoas endividadas pelo Desenrola.
Também foi proibido no Brasil o chamado mercado preditivo, conhecido como bet 2.0, que envolvia apostas sobre temas como a morte de pessoas e o clima. Apesar das restrições, o ministro demonstrou preocupação com dados que apontam o direcionamento de R$ 60 bilhões das famílias brasileiras para as bets nos últimos anos.
Disputa comercial
Na mesma entrevista, Durigan afirmou que a questão tarifária entre Brasil e Estados Unidos deve ser resolvida depois das eleições. Para ele, a imposição das tarifas representa uma interferência eleitoral destinada a provocar uma percepção negativa em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Depois da eleição isso tem de se resolver”, disse o ministro, ao defender que a discussão econômica será deslocada para outro momento.
Durigan também contestou a justificativa econômica das tarifas. Segundo ele, o Brasil gera superávit na balança comercial com os Estados Unidos, compra produtos farmacêuticos, serviços de nuvem e tecnologia e exporta suco de laranja e carne. Por isso, considerou as medidas injustas para um país mais pobre.
A entrevista foi concedida nos bastidores do Fórum CEO Brasil 2026, realizado em Mata de São João, na Bahia.







