JUIZ DE FORA — Flávio Roscoe, candidato do PL ao governo de Minas Gerais, recebeu R$ 900 mil de Carlos Geo Quick, ex-controlador do Banco Neon. O empresário virou réu na Justiça Federal em abril de 2025, após denúncia do Ministério Público Federal por crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo gestão fraudulenta por meio de operações de crédito fictícias.
A doação foi declarada ao Tribunal Superior Eleitoral e transferida em duas parcelas, feitas em agosto: uma de R$ 380 mil e outra de R$ 520 mil. Até 9 de setembro, o valor era a 21ª maior contribuição individual de uma pessoa física nas eleições em todo o país.
O Banco Neon, antigo Banco Pottencial, foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em maio de 2018. Segundo as investigações do MPF, Quick e sócios também controlavam a Pottencial Assessoria e Consultoria, a PAC. A empresa teria captado recursos sem autorização do Banco Central.
Como funcionava o esquema investigado
De acordo com a acusação, empresas depositavam dinheiro na conta da PAC com promessa de rendimento. Quando tentavam resgatar os valores, os controladores simulavam empréstimos no Banco Neon pelo mesmo montante solicitado.
Com isso, os investidores apareciam como devedores de operações que não haviam contratado, enquanto o banco registrava receitas fictícias de juros. O MPF apresentou a denúncia em março de 2025, e a Justiça Federal em Belo Horizonte aceitou a acusação no fim de abril do mesmo ano.
A assessoria de Roscoe afirmou que a contribuição foi feita diretamente ao partido e “de forma legal, transparente e devidamente declarada pelo doador”. Também disse que a relação entre o candidato e Quick se limita ao convívio no meio empresarial de Minas Gerais.
A defesa de Quick afirmou que ele não tem relação comercial com Roscoe e doou por acreditar nas propostas do candidato. Sobre as acusações do MPF, os advogados disseram que o empresário não se manifestaria.
Ato com Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira
A doação foi usada na campanha de Roscoe, que se reuniu em 9 de setembro, em Juiz de Fora, com o senador Flávio Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira, ambos do PL. O grupo participou de uma motociata e de um comício.
A mobilização havia sido tentada em 17 de agosto, mas uma tempestade levou a transferência do encontro para um ginásio em Belo Horizonte. Na nova agenda, o voo de Flávio Bolsonaro foi desviado para Goianá por causa do mau tempo, e ele seguiu de carro até Juiz de Fora.
No centro da cidade, o senador refez o trajeto associado ao atentado contra Jair Bolsonaro em 2018. A Polícia Federal concluiu que Adélio Bispo tinha transtorno mental delirante e agiu sozinho. Flávio Roscoe entrou no PL em março de 2026 e é a principal aposta do partido para o governo de Minas Gerais.







