A família do professor José Hidasi cobra da PUC Goiás a criação de um museu para abrigar e apresentar ao público o acervo reunido pelo pesquisador ao longo da vida. Doada à universidade há mais de dez anos, a coleção reúne mais de 100 mil exemplares de animais, além de pedras preciosas e outros itens ligados à história natural.
Segundo os familiares, parte do material permanece guardada em salas de outra ala do complexo do Memorial do Cerrado. A estimativa é que menos de 500 exemplares estejam disponíveis para visitação atualmente.
Cobrança pelo acesso público
Pedro Hidasi, neto de José Hidasi, afirma que a doação tinha como objetivo manter a coleção reunida e permitir que ela fosse conhecida pela sociedade. De acordo com ele, a família confiou à universidade a preservação do material diante da possibilidade de continuidade do Museu de Ornitologia criado pelo pesquisador em Campinas e em Goiânia.
“O sonho do meu avô era que o museu não ficasse na família para que ele pudesse ser aberto ao público”, afirmou Pedro.
O advogado diz que a cobrança não envolve pedido financeiro. A preocupação, segundo ele, é que grande parte dos animais permaneça seriada e guardada em gavetas, com acesso restrito a poucos cientistas. Para a família, a ausência de exposição impede que a população conheça o trabalho desenvolvido por José Hidasi.
A PUC Goiás não respondeu até o fechamento. O espaço permanece aberto para manifestações da instituição.
Projeto ainda não saiu do papel
Roberto Hidasi, filho do professor, também defende a criação do Museu de História Natural Professor José Hidasi. Ele afirma que não foi estabelecido um prazo formal para a construção no momento da doação, mas diz que já existia um projeto para o espaço.
Segundo Roberto, a família não recebeu uma explicação formal sobre a demora. A última conversa com representantes da universidade teria ocorrido de maneira informal cerca de dois ou três anos antes da morte de seu pai, que faleceu aos 95 anos. “Hoje, para te falar a verdade, eu acho que não vai sair. Só vai ficar no papel por enquanto”, disse.
O acervo reúne exemplares de aves, mamíferos e répteis, além de pedras preciosas e outros elementos relacionados à história natural. A família considera a coleção o maior conjunto de ornitologia do Brasil.
Trajetória do pesquisador
José Hidasi veio da Hungria e escolheu Goiás para desenvolver sua trajetória como pesquisador. Roberto afirma que o pai formou a coleção sem apoio dos governos estadual ou municipal e deixou três livros publicados.
Para o filho, o museu ajudaria a preservar tanto os exemplares quanto a memória do pesquisador e o trabalho dedicado à biodiversidade. A família pretende localizar uma cópia do contrato de doação para verificar as condições estabelecidas no acordo. Pedro Hidasi também se colocou à disposição para manter o diálogo com a universidade e defende que o acervo seja disponibilizado à sociedade.







