SÃO PAULO — A servidora que vistoriou o imóvel que desabou na Penha, zona leste de São Paulo, foi afastada por 30 dias pela Subprefeitura da Penha. Ela havia atestado, em 2024, que a demolição da edificação tinha sido realizada. O nome não foi divulgado.
A medida foi tomada enquanto a prefeitura apura o caso. O controlador-geral do Município, Daniel Falcão, afirmou que a servidora não permaneceria no cargo durante a investigação interna e que a Polícia Civil também apuraria os fatos.
Prédio tinha ordem de demolição
Segundo o prefeito Ricardo Nunes, técnicos municipais verificaram com vizinhos e por imagens de satélite que a demolição não havia sido feita. A construção começou em 2019 e foi interditada depois que a gestão municipal identificou problemas estruturais.
A prefeitura informou que a construtora continuou a obra mesmo após diversas multas. Em 2021, a Procuradoria Geral do Município entrou com uma ação para suspender imediatamente os trabalhos. A empresa apresentou outro projeto em 2022, e um alvará foi emitido em 2023 com a exigência de demolir a estrutura existente antes de construir uma nova edificação.
A delegada Deidiene Fialho Eboli Prado, do 24º DP (Ponte Rasa), disse que a análise de documentos e do histórico da construção levantou a suspeita de que os responsáveis poderiam conhecer a fragilidade da obra. As causas do desabamento ainda serão verificadas por perícia.
Prisões e versões sobre a obra
A Polícia Civil prendeu Ronaldo Vivacqua neste domingo (13). Segundo a corporação, ele seria sócio oculto da New Home Construtora, responsável pelo prédio. A Justiça determinou ainda a prisão temporária do engenheiro Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo e responsável legal pela empresa, e de Isis Brandão, mulher dele e também proprietária da construtora. O casal é considerado foragido.
O advogado Adelmo Silva, que representa a New Home e os três investigados, afirmou que uma decisão judicial de março de 2025 autorizava a continuidade dos trabalhos e que o casal se apresentaria à polícia nos próximos dias. Ele também disse que a obra estava parada por falta de recursos e que o desabamento poderia ter relação com outra construção na rua de trás.
Seis mortes
O edifício caiu por volta das 2h de sábado (12), na rua Tequici, e os escombros atingiram uma casa vizinha onde vivia uma família de imigrantes bolivianos. O local também abrigava a oficina de costura em que eles trabalhavam.
Os bombeiros encontraram na manhã deste domingo (13) o corpo de uma menina de sete anos. A retirada ocorreu no início da tarde, quando as buscas foram encerradas. Morreram Edelmira Titicayo Limachi, 26, Brayan Gery Gutierrez, 29, Sergio Titicayo Limachi, Maria Elena Ramirez Titicayo, Shaira Diana Chinó Ramirez, 7, e Ana Lucia Ruiz Romero, 38.
Segundo a polícia, as vítimas viviam havia nove anos no Brasil. A advogada Patrícia Veiga, do Consulado da Bolívia, afirmou que o órgão tenta viabilizar o transporte dos corpos para Oruro, na Bolívia, a pedido dos familiares.
Um homem e uma menina de 5 anos foram resgatados vivos, com ferimentos leves, entre contusões e escoriações. A operação durou mais de 24 horas e reuniu equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e da Prefeitura de São Paulo.







