SÃO PAULO — A Prefeitura de São Paulo abriu uma investigação para verificar se houve falhas na fiscalização e na autorização de uma obra que desabou na Penha, na Zona Leste da capital. O acidente deixou 6 mortos e atingiu uma casa na Rua Tequici durante a madrugada de sábado, 12.
A apuração da Controladoria Geral do Município (CGM) considera a possibilidade de a demolição exigida para a nova construção não ter sido realizada, embora um laudo tenha registrado o cumprimento da determinação. A servidora responsável pelo documento foi afastada por 30 dias.
Histórico do imóvel
O responsável pelo imóvel teve um pedido de alvará negado em 2019. Depois, a construção foi interditada e recebeu multas, incluindo uma penalidade de R$ 119 mil. Em 2021, a Prefeitura acionou a Justiça para pedir a demolição de uma estrutura considerada irregular no terreno, e uma liminar determinou a paralisação das obras.
Um novo projeto foi apresentado em 2022. No ano seguinte, a Prefeitura autorizou a execução da nova construção, condicionando a permissão à demolição da estrutura anterior. Uma vistoria realizada em fevereiro de 2024 apontou que a exigência havia sido cumprida, e o processo judicial foi encerrado.
A Polícia Civil também investiga as circunstâncias do desabamento e possíveis responsabilidades. A New Home Construtora informou que iniciou uma apuração interna e que ainda não há elementos suficientes para apontar o que provocou a queda. A empresa citou ainda movimentações de terra em um terreno vizinho como uma circunstância a ser considerada nas investigações.
Operação de busca
As buscas foram encerradas na tarde deste domingo, 13, depois que o Corpo de Bombeiros encontrou o corpo de uma menina de 7 anos entre os escombros. Ao todo, 8 pessoas que estavam na casa foram atingidas. Uma criança e um homem foram retirados com vida, encaminhados para atendimento médico e tinham previsão de alta até segunda-feira, 14.
As outras 6 vítimas eram 3 mulheres, 2 homens e uma criança. As identidades não haviam sido divulgadas. Cerca de 100 profissionais, entre militares e civis, participaram da operação, que avançou durante a madrugada com revezamento das equipes e uso de equipamentos e técnicas especializadas.
A possibilidade de haver vigias dentro da obra foi descartada depois que um representante da construtora informou aos bombeiros que não havia funcionários no prédio. A Defesa Civil interditou preventivamente 3 residências no terreno vizinho e avaliou as condições das construções próximas. A causa da queda ainda é investigada; chovia no momento do acidente, mas não havia elementos para apontar a chuva como responsável.








