BRASÍLIA — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nesta terça-feira (19/5) que se encontrou com Daniel Vorcaro depois da primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Segundo o parlamentar, a reunião ocorreu quando Vorcaro estava sob monitoramento eletrônico e não podia deixar a cidade de São Paulo.
Flávio afirmou que foi ao encontro para tratar do financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história”, disse o senador a jornalistas após uma reunião com a bancada do PL, na sede do partido, em Brasília.
A relação entre os dois veio a público após a divulgação de um áudio no qual Flávio pede dinheiro a Vorcaro para financiar parte da produção de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O senador afirmou que o repasse estava atrasado e negou ter cometido irregularidades.
O que Flávio disse sobre os contatos
O senador declarou que não descarta a divulgação de outros registros de contato com Vorcaro, mas afirmou que eles estariam relacionados ao filme. Em entrevista à CNN Brasil, disse que eventuais vídeos ou encontros teriam ocorrido para tratar da produção e que não haveria surpresa nas revelações.
Flávio também declarou que não ofereceu vantagens em troca do financiamento, não intermediou negócios com o governo e não recebeu dinheiro ou benefício pessoal. Em nota, afirmou que buscava patrocínio privado para uma obra privada e que não houve uso de dinheiro público nem da Lei Rouanet.
Segundo o senador, ele conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo de Jair Bolsonaro já havia terminado e não havia acusações ou suspeitas públicas contra o banqueiro. O contato, ainda de acordo com Flávio, foi retomado por causa do atraso nas parcelas necessárias para finalizar o filme.
Prisões e investigação
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. Ele é investigado por crimes contra o sistema financeiro nacional. Em 28 de novembro, deixou a prisão após uma decisão liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
O banqueiro foi detido novamente em 4 de março, em outra etapa da operação. Desde então, passou por diferentes presídios até ser levado para a carceragem da Polícia Federal, em Brasília. Ele aguarda negociações sobre um possível acordo de colaboração premiada.
Vorcaro é investigado por suspeita de comandar fraudes no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro. O caso também motivou a defesa, por Flávio Bolsonaro, da criação de uma comissão parlamentar de inquérito.
Contradições nas declarações
Antes de admitir a negociação, Flávio negou a existência do contato ao ser questionado sobre o pedido de financiamento. Depois da divulgação do áudio, reconheceu que havia procurado Vorcaro, mas sustentou que a iniciativa tinha como objetivo obter recursos para o filme.
A admissão também entrou em contraste com declarações anteriores do senador sobre o caso Master. Em publicações e entrevistas, Flávio havia associado as suspeitas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao PT e à esquerda, além de negar conexões entre Vorcaro e sua família ou grupos de direita.
O senador continuou defendendo a investigação por meio de uma CPI e afirmou que o caso deveria ser apurado. Em uma publicação de 10 de maio, disse que o Banco Master estava ligado a Lula.
Participação de Eduardo Bolsonaro
As versões sobre o financiamento do filme também mudaram no caso de Eduardo Bolsonaro, que vive no Texas (EUA) desde o ano passado. Inicialmente, ele negou participação na gestão financeira do projeto.
Depois, Eduardo admitiu ter assinado um contrato com a produtora para garantir a participação de um diretor de Hollywood. Ele afirmou que usou recursos próprios e que foi colocado como diretor-executivo por sugestão da produtora.
“Eu peguei R$ 350 mil e transformei em cerca de US$ 50 mil e mandei para os Estados Unidos”, declarou. Segundo Eduardo, o dinheiro serviria para assegurar o contrato com o diretor e permitir o desenvolvimento do roteiro.
Pesquisa eleitoral
Uma pesquisa do instituto Atlas Intel, divulgada na terça-feira (19/5), apontou queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, o senador passou de 39,7% para 34,3%.
Na simulação de segundo turno, Flávio caiu de 47,8% para 41,8%. Lula aparece com 48,9%, depois de oscilar 0,4 ponto percentual para cima. Com esses números, o presidente lidera os dois cenários apresentados pelo levantamento.
O Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, desenvolvido com a consultoria PollingData, também apontou Lula à frente no primeiro turno. Flávio aparece na segunda posição, seguido por Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), que disputam a terceira colocação.








