Documentos, mensagens e registros bancários indicam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, se comprometeu a repassar US$ 24 milhões para financiar “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Desse total, ao menos US$ 10,6 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações — cerca de R$ 61 milhões conforme a cotação dos períodos das transferências.
A negociação foi conduzida diretamente pelo senador Flávio Bolsonaro e envolveu também Eduardo Bolsonaro e Mario Frias. Os registros apontam que os pagamentos foram acompanhados por Vorcaro e por Fabiano Zettel, identificado pela Polícia Federal como operador financeiro do banqueiro.
Em mensagem enviada a Vorcaro em 16 de novembro de 2025, Flávio pediu ajuda financeira. Um dia depois, o banqueiro foi preso ao tentar deixar o país. Em 18 de novembro, o Banco Central liquidou o Banco Master. O texto-fonte afirma que a instituição teria operado um esquema de fraude com rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito, o FGC.
Transferências e intermediários
Os documentos indicam que parte dos valores saiu da Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund LP, registrado no Texas, nos Estados Unidos, e ligado à produção do filme. Um comprovante registra uma transferência de US$ 2 milhões em 14 de fevereiro de 2025.
A tabela analisada previa 14 parcelas: 12 de US$ 1,666 milhão e duas de US$ 2 milhões. Outro cronograma mencionava seis parcelas que somavam US$ 10,6 milhões entre janeiro e maio de 2025. Não há evidências, nas mensagens, de que os demais oito pagamentos tenham sido realizados.
Os registros também citam Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, como intermediário. Em 8 de dezembro de 2024, ele teria organizado um encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro em Brasília para tratar do filme. Mario Frias confirmou contatos com o banqueiro, mas afirmou, por meio de sua defesa, que as mensagens refletiam uma relação entre o idealizador do projeto e um potencial apoiador privado.
A defesa de Frias negou que ele tenha atuado como articulador político ou financeiro e rejeitou o uso do mandato para lobby privado ou favorecimento empresarial. Também afirmou que, quando as mensagens foram trocadas, não havia informação pública sobre eventual irregularidade financeira atribuída a Vorcaro.
Cobranças durante a produção
As conversas mostram Flávio cobrando a liberação de recursos em diferentes momentos. Em 8 de setembro, ele alertou Vorcaro sobre atrasos para profissionais internacionais envolvidos no filme e sobre possíveis impactos em contratos, elenco, direção e equipe.
Em outubro, o senador informou que as filmagens estavam no terceiro dia e que a produção havia chegado ao limite. Em 7 de novembro, agradeceu ao banqueiro e atribuiu a ele a viabilização do projeto. Não há confirmação, nos registros, de que um jantar entre Vorcaro, Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh tenha ocorrido.
Flávio negou as informações quando questionado presencialmente. Eduardo Bolsonaro não respondeu aos contatos. A defesa de Daniel Vorcaro também não se manifestou. O Grupo Entre afirmou que não possui vínculo societário, de controle ou de governança com o banqueiro.
O filme teve a estreia anunciada para 11 de setembro de 2026, mas o site oficial não confirma uma data de lançamento no Brasil.







