GOIÂNIA — Uma gameleira da espécie Ficus elastica, plantada há cerca de 60 anos no Setor Campinas, poderá ser retirada após um parecer técnico apontar riscos relacionados ao avanço das raízes. A árvore fica na Rua José Hermano, no cruzamento com a Rua Santa Bárbara, e divide opiniões entre moradores e comerciantes.
A possível retirada seria feita pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). O caso começou após Mário Soares, proprietário do imóvel mais afetado, procurar a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) para pedir providências. Segundo ele, as raízes atingiram paredes, o hidrômetro e outras partes da casa.
Mário é sobrinho de Carlos Antunes, apontado como responsável pelo plantio da árvore. Ele afirma que o pedido não está relacionado à saúde da gameleira, mas aos danos provocados pelo crescimento no local. “Está derrubando a casa. Está derrubando as paredes, tudinho”, disse.
De acordo com o proprietário, uma parede está solta e há risco de comprometimento de parte da estrutura e de danos às torres de vidro do imóvel. Ele também afirma que a família procurou os órgãos públicos, que a casa passou por vistorias da Amma e da Defesa Civil e que a documentação para a retirada foi providenciada pelos meios legais.
Relatos de danos em imóveis e na rede elétrica
Mário relata ainda que, durante o período chuvoso, galhos atingem a rede elétrica e provocam curtos-circuitos. Ele cita a queda de folhas e galhos, além de impactos em imóveis vizinhos e no trânsito.
Rayanne Galdino Menezes Martins, funcionária e filha do proprietário do Supermercado Goiás, também apoia a retirada. Segundo ela, galhos encostam na rede elétrica durante as chuvas e provocam interrupções no fornecimento. O supermercado já teria ficado quatro horas sem energia, mesmo contando com um gerador de pequeno porte.
Rayanne também aponta problemas nas calçadas e relata casos em que galhos atingiram veículos estacionados. Para ela, a sombra é positiva, mas os danos materiais precisam ser considerados. “A questão é o todo”, afirmou.
Moradores defendem a permanência
Deborah Seyssa, professora, missionária e moradora da região há 40 anos, é contrária à retirada. Ela afirma que a gameleira ajuda a amenizar o calor em uma área com poucas árvores e defende que o poder público procure uma solução para preservar a planta e garantir a segurança da família afetada.
A moradora sugere avaliar a indenização ou o reassentamento dos proprietários do imóvel. Ela também questiona se podas poderiam reduzir os problemas provocados pelos galhos.
O comerciante Stanley Silva também defende a permanência. Para ele, a árvore oferece sombra, protege veículos do sol e da chuva e melhora o conforto de quem circula pelo local. Seu principal incômodo, afirma, é recolher as folhas que caem.
Alaidio Martins, comerciante que afirma morar na região há 35 anos, considera que o Setor Campinas é carente de arborização. Ele defende que sejam buscadas alternativas para resolver os problemas da casa sem eliminar a gameleira e destaca o benefício ambiental e o valor histórico da árvore.
Mário afirma ter recebido críticas nas redes sociais após solicitar a retirada. Ele diz que a autorização prevê o plantio de outra espécie no lugar da gameleira e que a intenção é solucionar os riscos sem desconsiderar a importância da arborização.






