A primeira prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acelerou de 0,26% em agosto para 0,93% em setembro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Foi a maior taxa para uma primeira prévia desde abril desse ano, quando o índice marcou 0,95%.
O economista André Braz, da FGV, afirmou que o indicador fechado de setembro pode ficar acima de 1%. Em agosto, o IGP-M recuou 0,22%. Para Braz, os preços de commodities agropecuárias e industriais no atacado explicam a aceleração.
Atacado concentra a pressão
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60% do IGP-M, passou de 0,28% para 1,26% entre as primeiras prévias de agosto e setembro. No segmento agropecuário, a variação subiu de 1,83% para 2,40%. Já os produtos industriais saíram de uma queda de 0,24% para uma alta de 0,86%.
Entre os produtos que ficaram mais caros na prévia de setembro estão minério de ferro, carne bovina, farelo de soja e milho, com aumentos de 2,85%, 4,42%, 6,07% e 3,10%, respectivamente.
A inflação do varejo também contribuiu para o resultado. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que corresponde a 30% do IGP-M, passou de uma queda de 0,09% para uma alta de 0,09% no mesmo intervalo.
Segundo Braz, a primeira prévia de setembro não teve o efeito do chamado bônus de Itaipu, desconto automático na conta de luz que devolve aos consumidores excedentes financeiros gerados pela operação da usina hidrelétrica binacional de Itaipu. Na primeira prévia de agosto, a tarifa de eletricidade residencial havia caído 0,31% e representa quase 5% do IPC.
Cigarros, móveis para residência e planos e seguros de saúde tiveram altas de 7,80%, 2,66% e 0,46%, respectivamente, e também pressionaram o índice.
Braz disse não esperar uma perda expressiva de força, até o fim do mês, nos preços que aceleraram entre as duas prévias. Ele também citou a possibilidade de menor oferta de produtos agrícolas por problemas climáticos. “O El Niño já conseguimos ver o efeito dele no Sudeste”, afirmou.
Para o economista, a combinação desses fatores indica que o IGP-M de setembro “tem potencial” para superar 1%.







