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Operação investiga cobranças atribuídas ao CV em áreas turísticas de Paraty
Brasil

Operação investiga cobranças atribuídas ao CV em áreas turísticas de Paraty

Moradores relatam ameaças e incêndios após recusas a pagamentos mensais que chegam a R$ 1.000 em bairros e vilas caiçaras.

A Polícia Civil realizou nesta quarta-feira (16) uma operação para investigar a expansão do Comando Vermelho em Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro. Coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE), com apoio do Ministério Público por meio do Gaeco, a ação busca cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão em Paraty, no Rio de Janeiro e em Nova Iguaçu.

Os relatos de moradores e comerciantes apontam cobranças a diferentes atividades ligadas ao turismo. Barqueiros que levam visitantes às enseadas são abordados no cais da cidade, enquanto donos de restaurantes, lanchonetes e pousadas afirmam receber exigências em vilas caiçaras.

Cobranças em Trindade

Em Trindade, área turística do sul fluminense que integra o parque nacional da Serra da Bocaina, comerciantes que recusam o pagamento recebem mensagens individuais nos celulares. A população suspeita que pessoas infiltradas em grupos de moradores possam repassar informações aos responsáveis pelas cobranças.

A taxa varia entre R$ 500 e R$ 1.000 por mês. Segundo moradores, o valor pode subir no verão, período de alta temporada. As represálias relatadas incluem incêndios em restaurantes, quiosques e estruturas de estabelecimentos.

Há um mês, um comerciante que não aceitou pagar foi ameaçado. Uma semana depois, a estrutura do local onde trabalhava foi incendiada. Em outro episódio, um homem foi preso sob suspeita de cobrar valores ilegais de barqueiros na praia do Pontal, próxima do centro histórico. À polícia, ele teria admitido que recolhia o dinheiro para a facção.

Denúncias e ação policial

Dados do Disque Denúncia registraram cinco denúncias de extorsão entre janeiro e agosto deste ano, nos bairros e localidades de Caboré, Chácara, Pontal, São Gonçalo e Trindade. No mesmo período, foram recebidos outros 55 telefonemas anônimos sobre tráfico de drogas no município.

As denúncias de atuação do tráfico passaram de 81 registros em 2024 para 152 em 2025. Trindade concentrou 45 denúncias de tráfico de drogas em 2025, ante duas em 2022. O órgão avalia que os números podem estar abaixo da realidade após a prefeitura encerrar uma parceria com o canal.

A Prefeitura de Paraty afirmou que comunicou o comando da Polícia Militar assim que tomou conhecimento das denúncias. Em nota, disse que a ausência de convênio direto “não representa qualquer interrupção ou prejuízo ao funcionamento do canal de denúncia anônima”.

A Polícia Militar informou que intensificou as incursões em áreas consideradas sensíveis, como Ilha das Cobras, no centro. No último dia 3, houve troca de tiros no bairro do Condado, vizinho à localidade, durante uma ação para verificar uma denúncia sobre um ponto de venda de drogas. Dois homens foram presos, e um deles foi levado sob custódia a um hospital da cidade.

A companhia da PM responsável por Paraty declarou que “a unidade tem aprimorado suas ações de inteligência e em campo, colhendo dados e checando denúncias continuadamente”. A corporação também afirmou que mantém contato com representantes da comunidade e com o Ministério Público e que as ações contra o crime organizado continuarão sendo intensificadas.

A Prefeitura de Paraty declarou ainda que pretende apoiar, dentro de suas atribuições legais, medidas voltadas à segurança da população, das comunidades caiçaras e dos visitantes. A inscrição CV foi encontrada em papelotes de drogas apreendidos pela polícia, embora moradores afirmem que a presença de homens armados não seja ostensiva nas vilas caiçaras.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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