GOIÁS — A segurança hídrica entrou no centro do planejamento urbano de Goiás. Em 2026, o Estado estruturou um processo participativo de alocação negociada no Alto Meia Ponte para enfrentar a escassez e garantir o abastecimento. Há cerca de 1.200 interferências mapeadas na área.
A bacia do Rio Meia Ponte é a principal fornecedora de água para a Região Metropolitana de Goiânia. Nesse cenário, a abertura de novos loteamentos e a incorporação de áreas ao tecido urbano precisam ser avaliadas também pelos efeitos sobre a infiltração da água, a recarga dos aquíferos, as nascentes e a drenagem.
O Censo 2022 registrou 7,05 milhões de habitantes em Goiás. O estado teve saldo migratório positivo de 186.827 pessoas, enquanto a população da Região Metropolitana de Goiânia aumentou 19,35% entre 2010 e 2022. A movimentação amplia a procura por moradia, solo urbanizado, transporte, saneamento, infraestrutura e serviços públicos.
Ocupação além das áreas consolidadas
O IBGE identificou áreas urbanizadas com baixa densidade e parcelamentos que ainda não foram ocupados. Isso mostra que o crescimento das cidades não depende apenas do adensamento de regiões já estruturadas: novos territórios também passam a integrar o espaço urbano.
A legislação estabelece parâmetros para esse processo. A Lei nº 6.766/1979 inclui drenagem, abastecimento de água, esgotamento sanitário e sistema viário entre os componentes da infraestrutura básica. Já o Estatuto da Cidade prevê o direito a cidades sustentáveis e orienta a política urbana a evitar distorções e impactos ambientais.
Áreas verdes, arborização, parques, jardins de chuva, pavimentos permeáveis e áreas de retenção são apresentados como parte da infraestrutura urbana, e não apenas como elementos paisagísticos. Essas medidas influenciam a forma como a água circula e é absorvida pelo território.
Como água, mobilidade, saneamento e expansão urbana ultrapassam os limites municipais, o planejamento integrado e a cooperação entre municípios são necessários. O Estatuto da Cidade também prevê debates, audiências e consultas públicas como instrumentos de gestão democrática.
Goiás continuará crescendo, mas a expansão dependerá da capacidade do território de sustentá-la. Cada novo loteamento representa uma nova parte da cidade e exige decisões sobre infraestrutura, recursos hídricos e participação da população.








