GOIÂNIA — A participação efetiva de mulheres lésbicas e bissexuais na organização e nos espaços de fala da Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de Goiânia foi questionada em uma nota divulgada pelo Trio “Mulheridades e Travestilidades Lésbicas/Sapatão e Bissexuais”. O documento relaciona os episódios ao tema da edição, “Vote! Nada sobre nós sem nós: transformando visibilidade em representatividade!”.
A manifestação foi publicada nesta quarta-feira, 16, após situações registradas na 31ª edição do evento, realizada no domingo, 13. Segundo o coletivo, uma representante dos grupos que integram o trio teve sua fala contestada pela Associação da Parada do Orgulho LGBT de Goiás (PARADA-GO).
Durante o Trio Oficial, outra militante perdeu o acesso ao microfone enquanto falava. A nota afirma que a interrupção ocorreu antes do fim dos 3 minutos previstos para cada participante. O documento relata ainda que uma terceira intervenção só aconteceu depois de um confronto para assegurar a presença de duas ativistas mulheres na programação.
No fim das atividades do trio, o responsável pela organização geral teria entrado no espaço aos gritos e dando ordens. Para o coletivo, a conduta contrariou as práticas de respeito e cordialidade esperadas de um movimento político organizado.
Disputa por voz e representatividade
A nota sustenta que o microfone, naquele contexto, representa mais do que um recurso para discursos: envolve poder, voz, representação e respeito às reivindicações por direitos. As organizações também criticam o uso da participação de mulheres lésbicas e bissexuais apenas como elemento visual de diversidade, enquanto suas manifestações seriam interrompidas ou desconsideradas.
O trio descreve os casos como violência de gênero e política, misoginia, lesbofobia e assédio moral. Também afirma existir em Goiás um apagamento histórico de lésbicas e bissexuais na construção do maior evento democrático LGBTQIAPN+ do estado. Na avaliação do grupo, a Parada da Diversidade não deve ser reduzida a uma parada gay.
A nota recebeu a assinatura de organizações como Ecoa Advocacia e Consultoria, Coletivo Ocupa Sapatão GO, Orgulho em Rede, Guerreirxs, Flores Raras, Centro Popular da Mulher/União Brasileira de Mulheres (CPM/UBMGO), Liga Brasileira de Lésbicas e Mulheres Bissexuais (LBL), Aliança Nacional LGBTI+ Goiás, Associação Mulheres na Comunicação (AMC), Agentes Educadores e Educadoras Populares (AGPOP Diversidade), Coletivo Casa do Zoto, Coletivo Centopeia e União Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travesti (UNA LGBTI).
Procurado, o responsável pela PARADA-GO informou que não vai se pronunciar sobre o caso.








