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Pedido na CLDF questiona negócios ligados ao governo de Celina Leão
Foto: tony-oliveira-agencia-brasilia-1
Brasil

Pedido na CLDF questiona negócios ligados ao governo de Celina Leão

Representação de Gabriel Magno cita operações do BRB com o Banco Master, contratos do GDF e relação patrimonial com empresário do transporte público.

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) terá de analisar uma representação apresentada pelo deputado distrital Gabriel Magno (PT) contra a governadora Celina Leão (PP). O documento pede a abertura de investigação político-administrativa por possíveis crimes de responsabilidade e reúne três frentes de apuração: operações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, contratos da Real JG Facilities com o Governo do Distrito Federal e uma relação patrimonial privada da governadora com um empresário ligado ao transporte público.

A representação se baseia na Lei nº 1.079/1950 e menciona possíveis violações à probidade administrativa, à dignidade e ao decoro do cargo. As acusações ainda precisam ser examinadas pela Câmara e não representam condenação nem comprovação de crime contra Celina Leão.

Operações entre BRB e Banco Master

Um dos pedidos de Gabriel Magno é para que sejam investigadas as circunstâncias envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. A representação menciona mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, nas quais ele teria afirmado que Celina, quando ainda era vice-governadora, tinha conhecimento das discussões sobre a operação.

As mensagens foram trocadas em 2025, depois de Celina declarar publicamente que não havia sido consultada sobre a negociação. A governadora contesta essa interpretação, afirma que sempre foi contrária à aquisição e diz não existirem mensagens, reuniões ou outros registros que comprovem sua participação direta nas tratativas.

O próprio pedido reconhece que as mensagens, isoladamente, não comprovam crime de responsabilidade. A investigação solicitada busca verificar se, depois de assumir definitivamente o governo, Celina tinha conhecimento das operações e deixou de adotar providências, fornecer informações aos órgãos de controle ou responsabilizar agentes envolvidos.

Contratos e pagamentos

Outra frente envolve a Real JG Facilities, empresa que mantém contratos com o GDF. Segundo a representação, a companhia teria realizado pagamentos que totalizam R$ 1,4 milhão à Faceng Engenharia, ligada ao marido e à filha de Celina.

O documento cita notas fiscais mensais de R$ 100 mil emitidas entre 2025 e 2026 e questiona a descrição dos serviços. A relação comercial entre empresas privadas, por si só, não é apontada como suficiente para caracterizar irregularidade. O pedido afirma que seria necessário verificar eventual conexão entre os pagamentos e decisões tomadas no governo.

Para isso, Gabriel Magno solicita contratos, propostas, ordens de serviço, relatórios, medições, notas fiscais e comprovantes. Também pede o levantamento de contratos, aditivos, indenizações e pagamentos feitos pelo GDF à Real JG no período analisado.

Relação patrimonial privada

O terceiro ponto trata da aquisição de material genético bovino. De acordo com a representação, Celina e o marido compraram, em setembro de 2025, uma participação em um embrião bovino da raça Nelore, em copropriedade com o empresário Edmundo de Carvalho Pinheiro.

O negócio foi avaliado em R$ 500 mil, com pagamento parcelado em 30 vezes. Pinheiro é ligado à HP Investimentos e ao Consórcio Urbi-HP, que atua no sistema de transporte público coletivo do Distrito Federal.

A representação não afirma que a compra do embrião seja irregular. A dúvida levantada é se a relação patrimonial poderia gerar conflito de interesses caso Celina tenha participado, já como governadora, de decisões administrativas capazes de beneficiar empresas ligadas ao empresário sem declarar impedimento.

Próximas etapas

O pedido não afasta Celina Leão nem inicia automaticamente um processo de impeachment. A CLDF deverá analisar a admissibilidade da denúncia e preservar o direito de defesa da governadora. Se o procedimento avançar, poderão ser requisitados documentos e informações de órgãos públicos e empresas citadas.

Entre as diligências estão solicitações ao BRB, ao Banco Central, ao Tribunal de Contas do Distrito Federal, à Polícia Federal e a outros órgãos envolvidos nas apurações sobre o Banco Master. Também são pedidos documentos sobre os pagamentos entre a Real JG e a Faceng e sobre eventual participação da governadora em decisões relacionadas às empresas de transporte mencionadas.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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