BRASÍLIA — O governo do Distrito Federal pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o bloqueio e a devolução ao Banco Regional de Brasília (BRB) de R$ 12,2 bilhões pagos pelo banco estatal para adquirir títulos do Banco Master. A solicitação foi apresentada em 25 de agosto e divulgada pelo STF na noite de ontem.
O pedido foi feito no inquérito que apura os negócios entre o BRB e o Master. O governo local afirma que o banco estatal é vítima e quer impedir que os recursos continuem circulando no sistema financeiro. A solicitação inclui o rastreamento das transferências feitas pelo BRB ao Master, identificado no documento como Tirreno52, e das operações posteriores que possam ter diluído o dinheiro.
A administração distrital também pediu bloqueios, confiscos e a proibição de circulação dos valores no mercado, com depósito judicial. A medida, conforme o requerimento, deve preservar o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório. O governo ainda solicitou que recursos financeiros apreendidos ou bloqueados sejam devolvidos imediatamente, total ou parcialmente, ao BRB.
Crise no banco estatal
A solicitação ocorre enquanto o BRB enfrenta dificuldades para encontrar uma saída para a crise. Embora o governo do Distrito Federal classifique a instituição como vítima, as investigações apontam o envolvimento do ex-presidente Paulo Henrique Costa e de outros dirigentes do banco em fraudes ocorridas durante o governo de Ibaneis Rocha, do MDB.
Costa foi nomeado por Ibaneis e está preso sob suspeita de receber propina para atender aos interesses do Master dentro do BRB. Ele tentou negociar um acordo de colaboração premiada, mas não obteve sucesso.
Ibaneis deixou o governo para tentar disputar o Senado neste ano. A vice, Celina Leão, do PP, assumiu o comando do Distrito Federal e tenta a reeleição.







