A Procuradoria-Geral da República recusou, em 25 de junho, a proposta de colaboração premiada apresentada por Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). Ele havia procurado a instituição em 19 de abril, três dias depois de ser preso preventivamente, para iniciar as negociações relacionadas ao caso Banco Master.
Uma reunião formal com autoridades foi realizada em 28 de maio, conforme a defesa. A cronologia está em uma petição protocolada no Supremo Tribunal Federal (STF) em 12 de junho. Os advogados afirmaram que, duas semanas após o encontro, ainda não tinham recebido uma definição sobre o prosseguimento das conversas.
O interesse de Paulo Henrique em colaborar também foi registrado pelo ministro André Mendonça em despacho de 29 de abril. Na decisão, Mendonça mencionou a possibilidade de o ex-presidente do BRB cooperar com as autoridades por meio de um acordo de colaboração premiada.
O ministro determinou que os documentos sobre a possível negociação fossem retirados da petição em que a prisão preventiva havia sido decretada. O material passou a tramitar separadamente. Paulo Henrique também pediu transferência para um local que preservasse a confidencialidade das conversas com a defesa.
Diante da ausência de uma resposta, os advogados solicitaram ao STF que determinasse à PGR e à Polícia Federal (PF) a apresentação, por escrito, das razões caso não quisessem assinar um termo de confidencialidade para continuar as tratativas. Para a defesa, uma eventual recusa deveria ser fundamentada.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, avaliou que a colaboração teria “reduzida utilidade e débil eficácia potencial”. Segundo ele, parte relevante dos temas apresentados não trazia informações inéditas para a investigação. Gonet também apontou que não havia indicação de resultados diferentes dos já obtidos, inclusive em relação a um possível ressarcimento dos prejuízos.
Paulo Henrique foi preso por ordem de Mendonça em 16 de abril, nas investigações sobre operações entre o BRB e o Banco Master. A Polícia Federal atribui a ele participação na aquisição de carteiras de crédito fraudulentas. A defesa contesta as acusações e afirma que não existem elementos contemporâneos para justificar a manutenção da prisão.







