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Perícia identifica assinaturas digitais posteriores em documentos do Banco Master
Brasil

Perícia identifica assinaturas digitais posteriores em documentos do Banco Master

Relatório da Polícia Federal descreve planilhas, procurações e alterações em arquivos usados em cessões fictícias ao BRB.

A perícia digital identificou documentos do Banco Master cuja data escrita não correspondia ao momento registrado na assinatura eletrônica. Em determinadas Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), o documento indicava 21 de janeiro de 2025, enquanto o registro criptográfico apontava assinatura em 20 de junho de 2025, às 14h02min39s.

Os arquivos foram usados para sustentar operações de cessão de créditos ao Banco de Brasília (BRB). Conforme relatório técnico-pericial da Polícia Federal, as cessões fictícias de crédito consignado chegaram a R$ 7,15 bilhões e passaram pela Tirreno Consultoria, empresa criada para dar aparência de legitimidade a ativos ilíquidos vendidos ao BRB.

Como os arquivos eram preparados

A estrutura aparece em uma apresentação interna apreendida na área de tecnologia do Banco Master. O arquivo, chamado “Investigações internas – Banco Master”, tinha 30 slides e registrava atividades realizadas entre 18 de junho e 24 de outubro de 2025.

Informações de clientes de operações antigas eram retiradas dos sistemas internos e colocadas em planilhas. Em 2 de julho de 2025, Fabrizio Pereira Alencar, coordenador de Controles do Back Office, solicitou a Vinicius Lucas Trentino, analista de Projetos Sênior da área de TI, um levantamento de CPFs pelo Microsoft Teams. Vinicius fez a consulta no banco de dados interno no dia seguinte, exportou o resultado para uma planilha e enviou o arquivo por e-mail a Fabrizio e à equipe.

As conversas internas também registraram dúvidas sobre a qualidade da base. Em 20 de junho, Rafael Manfrin da Silva afirmou que a lista estava “meio furada” depois de encontrar o CPF de uma pessoa com apenas uma proposta de 2019. Thiago Ramalho havia observado que, após a filtragem, apareciam 328 registros de uma modalidade identificada como credcesta-refin.

Com os dados reunidos, Allan da Silva Machado, gerente de Operações I do Back Office, usou a mala direta do Microsoft Word para gerar 2.700 procurações em lote em 20 de junho de 2025. O arquivo PROCURACAO Master.docx foi ligado à planilha Base de Geração Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) AMANHA 1.xlsx, guardada na pasta “Demanda BRB-Tirreno 2700 amostras”.

Assinaturas e documentos alterados

A área de tecnologia também criou aplicações para retirar de PDFs apenas a segunda página, que correspondia à assinatura dos documentos originais. A perícia encontrou ainda o arquivo erros-whatsapp.zip, enviado por Anderson Juliano Caspinelli Garcia a Moacir Lourenço da Silva Junior, com 1.833 PDFs contendo páginas isoladas de assinatura dos Termos de Consentimento.

As CCBs foram assinadas digitalmente em 20 de junho de 2025 por Fabrizio, Henrique, Allan e Daniel Guscuma. Foram usados o Adobe Acrobat Reader, o certificado digital corporativo do Banco Master e o certificado individual de Allan Machado.

Allan também pediu a Moacir que retirasse datas e horários dos Termos de Consentimento. No documento de Genilson Lima Leal, o registro original 24/02/2023 13:05 foi apagado visualmente em 3 de julho de 2025, às 15h26. A mudança, porém, não eliminou todos os vestígios analisados pela perícia digital.

Depois das alterações, os documentos eram reunidos em um PDF por operação com o PDF24. Comprovantes de transferências feitas por SPB e PIX também foram modificados. Em 25 de junho de 2025, Allan discutiu com Romy Goerck Gentina Klenquen a retirada de informações como “LIBERAÇÃO CREDCESTA VIA PIX”, do número de contrato e do histórico.

Auditoria e envio de amostras

As conversas também mencionam a auditoria da Deloitte. Em 23 de junho, Fabrizio informou a Alberto Felix de Oliveira Neto que a auditoria cobrava documentos. Dois dias antes, os dois haviam tratado do envio de arquivos da carteira da Tirreno referente ao período entre dezembro de 2024 e março de 2025. Fabrizio disse que a base já tinha sido encaminhada, mas continha um erro que precisava ser corrigido. Os documentos solicitados seriam CCBs e termos.

A investigação identificou ainda o envio de amostras à cúpula do banco. Em 12 de junho de 2025, Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, pediu a Alberto um kit com 300 documentos com assinatura digital. Alberto disse que providenciaria o material e informou depois que tinha acesso apenas à CCB; Allan enviaria os links das procurações e das assinaturas.

Para a perícia, a comparação entre as datas impressas nas CCBs e os registros das assinaturas digitais revelou que documentos apresentados como anteriores tinham sido assinados posteriormente.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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