A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) cumpriram 49 mandados de busca e apreensão na operação “Make Up”, que investiga um suposto desvio de emendas parlamentares relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Não foram expedidos mandados de prisão.
A produtora Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que atua como roteirista e produtor-executivo da produção, estão entre os alvos. Também foram realizadas buscas no Instituto Conhecer Brasil (ICB) e na Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades de propriedade de Karina. A empresa Go Up, responsável pela produção do filme, não é alvo dos mandados.
O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito, que tramitava em São Paulo, foi transferido para a Corte. A investigação apura a suspeita de que recursos públicos enviados a uma organização da sociedade civil tenham sido repassados a empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da prestação dos serviços.
A PF afirma ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao suposto esquema. As tentativas de ocultar os desvios teriam continuado até julho deste ano. São investigadas suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
Emenda e outras apurações
Uma auditoria da CGU apontou suspeita de desvio de uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Frias para entidades ligadas a Karina, com gastos não comprovados. Em manifestação enviada ao STF em maio, o deputado negou que os recursos destinados às organizações tenham sido usados em “qualquer produção cinematográfica”.
Há ainda outro inquérito no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça. O procedimento examina repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), e o caminho percorrido pelo dinheiro.
A investigação também apura transferências para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro no país. Segundo a delação de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, foram feitos sete repasses entre janeiro e setembro de 2025, que somaram US$ 12,333 milhões — valor equivalente a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025.
Freixo Junior é dono da Entre Investimentos, empresa que teria realizado repasses para o filme. Em sua colaboração, assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto, ele afirmou que gerava dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro e que os valores eram entregues em malas para pagamentos de propina.
A PF investiga se todo o dinheiro foi destinado ao filme, como afirmam Flávio Bolsonaro e a Go Up, ou se parte dos recursos teve outros destinos. Os citados na operação ainda não haviam se pronunciado.







