O Rock in Rio 2026 chegou ao primeiro dia com uma combinação de multidão e áreas esvaziadas. O Foo Fighters reuniu muita gente, enquanto Elton John teve ingressos esgotados. Em outras apresentações, porém, imagens de clareiras no gramado chamaram atenção e afetaram a percepção sobre o festival.
Um dos principais pontos de tensão está na diferença entre as áreas e os valores cobrados. A entrada normal custa R$870 a inteira, R$435 a meia e R$739,50 para cliente Itaú. Já a Comfort Zone sai por R$1.950 inteira, R$975 meia e R$1.657,50 para cliente Itaú. A avaliação apresentada é que a divisão transforma parte do gramado em um espaço mais restrito e distancia o público da experiência coletiva associada ao evento.
A programação também aparece entre os motivos de desgaste. Capital Inicial chegou à nona participação, enquanto Foo Fighters e Maroon 5 são apontados como nomes recorrentes. O próprio Foo Fighters tem retorno previsto ao Brasil em 2027, o que reforça a percepção de repetição entre parte das atrações.
Outro elemento destacado é a presença comercial. O festival reúne mais de 100 ativações de marca e tem previsão de um milhão de brindes. Entre as ações mencionadas estão montanha-russa, karaokê e pavilhão de marcas. Nesse cenário, a experiência é descrita como mais voltada ao consumo e à produção de conteúdo do que à memória musical.
A variedade de estilos — rock, pop, K-pop, eletrônico e nostalgia — amplia o alcance, mas também deixa a identidade menos definida. A programação é comparada a uma playlist de streaming, com o festival tentando atender a públicos diferentes ao mesmo tempo.
As áreas vazias reforçam esse incômodo. O mar de gente sempre fez parte da imagem do Rock in Rio, e os espaços livres no gramado quebram essa representação. A discussão final é se o festival cresceu a ponto de perder a aura de acontecimento raro. Mesmo com sua dimensão e força econômica, o evento é descrito como um gigante que talvez já não seja indispensável para todos.








