A Santos Brasil planeja neutralizar 70% das emissões de carbono da empresa até 2050, com a troca gradual de equipamentos a diesel por alternativas elétricas. No Tecon Santos, 16 dos 54 guindastes de movimentação vertical já funcionam com eletricidade. Outros 16 serão eletrificados em 2028, e os 14 restantes, até 2030.
O programa faz parte da modernização do terminal, iniciada em 2019 e voltada a elevar a capacidade para 3 milhões de TEUs. O projeto prevê investimentos totais de cerca de R$ 3 bilhões, dos quais R$ 2,55 bilhões já foram realizados. A expectativa é reduzir em 70% as emissões geradas pela empresa, por caminhões e por equipamentos pesados dentro do terminal. Também está prevista uma redução de 47% nas emissões associadas à movimentação de cargas pelos usuários.
Eletrificação e tecnologia no terminal
A eletrificação dos guindastes representa um investimento de R$ 500 milhões. A empresa também prevê novas áreas de armazenagem e a expansão do uso de modelagem 3D, digital twin, internet das coisas, realidade aumentada e inteligência artificial. As ferramentas devem ajudar a diminuir deslocamentos desnecessários de pessoas e equipamentos.
Em julho, a Santos Brasil realizou a primeira operação de abastecimento de um navio porta-contêineres com etanol no Brasil. A iniciativa foi apresentada pela companhia como parte do esforço de descarbonização do transporte marítimo.
Antônio Carlos Sepúlveda, diretor-executivo da Santos Brasil, afirma que a descarbonização e a eficiência energética orientam os investimentos e os orçamentos da empresa. “O setor de transporte contribui com 30% das emissões de carbono do mundo”, disse.
A companhia opera oito terminais no país, com 3.870 funcionários e mais de 9,4 mil clientes. A estrutura inclui unidades de contêineres em Santos, em Santa Catarina e no Pará, além de instalações para veículos, carga geral e granéis líquidos em Itaqui, no Maranhão.
Resultados e expansão dos negócios
A Santos Brasil investiu R$ 646 milhões em seus ativos em 2025. No mesmo ano, registrou receita líquida consolidada superior a R$ 3,6 bilhões, alta de 25% em comparação ao ano anterior. O lucro alcançou R$ 871,7 milhões, crescimento de 18%.
Os resultados levaram a companhia ao primeiro lugar do setor de transportes e logística no anuário Valor 1000. A empresa afirma que mantém uma estratégia de longo prazo para atravessar períodos de crise e preservar o ritmo de investimentos.
A companhia foi criada há 28 anos para operar o Tecom Santos e já aplicou mais de R$ 9 bilhões em aquisições, expansões, equipamentos e tecnologia. A conclusão da aquisição da totalidade das ações pela francesa CMA CGM ocorreu em 2025. O grupo é signatário do Pacto Global das Nações Unidas, voltado à mobilização empresarial em favor da sustentabilidade e do equilíbrio das contas climáticas até 2050.
Na frente social, estão em execução 55 projetos socioambientais ligados principalmente à educação e à formação profissional. Segundo Sepúlveda, as iniciativas também buscam apoiar pessoas em situação de vulnerabilidade nas comunidades próximas às operações.
A empresa distribuiu mais de R$ 3,5 bilhões em proventos aos acionistas nos últimos oito anos. Desde 2018, a cotação das ações registrou alta de 500%. Para Sepúlveda, a expansão futura deve ser apoiada pelo comércio exterior brasileiro e pela atuação da Santos Brasil em setores como agronegócio, mineração, óleo e gás.







