A Embraer projeta receita anual entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões em 2026, com margem Ebit ajustada de 10% a 10,6% e fluxo de caixa livre, sem considerar a Eve, de US$ 400 milhões ou mais. A previsão inclui entregas de 80 a 85 aeronaves na aviação comercial e de 160 a 170 jatos executivos.
As estimativas foram apresentadas depois de um desempenho recorde no segundo trimestre. A companhia entregou 65 aeronaves, o maior número em um segundo trimestre nos últimos 16 anos. A receita líquida chegou a US$ 2,24 bilhões, alta de 23% na comparação anual, com margem Ebit ajustada de 10,6%. A carteira de pedidos firmes alcançou US$ 34,5 bilhões, crescimento de 16% e o sétimo recorde consecutivo.
Produção e mercado internacional
Em 2025, a Embraer registrou receita de US$ 7,6 bilhões, o maior patamar de sua história. A margem Ebit ajustada foi de 8,6%, enquanto o fluxo de caixa livre superou US$ 490 milhões, sem incluir a Eve. As entregas cresceram 18% e somaram 244 aeronaves, com avanço nas vendas de todas as unidades de negócios.
Na aviação executiva, o Phenom 300 liderou as vendas, e os modelos Praetor 500 e 600 ampliaram sua participação no mercado. A expansão industrial avançou em Gavião Peixoto, em São Paulo, e em Melbourne, na Flórida, nos Estados Unidos. O tempo de produção dos jatos Praetor caiu de 18 meses em 2021 para 8,5 meses atualmente, redução de quase 53%.
A área de defesa e segurança teve como principais impulsionadores a demanda internacional pelo cargueiro KC-390 Millennium e pela aeronave leve de ataque Super Tucano. A carteira de pedidos terminou 2025 em US$ 4,6 bilhões, alta de 10% sobre o ano anterior. No fim do primeiro semestre de 2026, chegou a US$ 6,1 bilhões, valor 42% superior ao de um ano antes.
O mercado dos Estados Unidos permanece estratégico para a empresa. A Embraer investe US$ 70 milhões em serviços e suporte na unidade de Fort Worth, no Texas. A estrutura deve elevar a capacidade de atendimento em 53% até 2027. Na aviação comercial, o E175 mantém ritmo forte de vendas no país.
Tarifas e custos de operação
A companhia enfrentou custos associados às tarifas de importação dos Estados Unidos e desafios na gestão da cadeia global de suprimentos. As tarifas impostas por Donald Trump vigoraram entre abril de 2025 e fevereiro deste ano, com alíquota de 10% sobre jatos e peças.
O impacto total para a Embraer foi de US$ 75 milhões. A aviação executiva respondeu por 88%, ou US$ 66 milhões, enquanto serviços e suporte tiveram impacto de US$ 9 milhões. Na aviação comercial, o custo das tarifas foi absorvido pelos clientes.
Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o primeiro tarifaço. A decisão considerou que a lei usada por Trump, a IEEPA, não dava ao presidente poder para impor tarifas de importação sem aprovação do Congresso. No fim de fevereiro, o governo americano criou uma nova tarifa global de 10%, mas a aviação ficou fora e voltou a ter alíquota zerada.
“Nossa estratégia, pautada em eficiência e inovação, sustenta o crescimento e os resultados positivos”, afirmou Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer. Segundo ele, a companhia respondeu aos desafios operacionais com colaboração com parceiros, digitalização de processos e ferramentas de inteligência artificial para acompanhar a produção em tempo real.
Inovação e novos negócios
A Embraer destina, em média, 5% da receita anual para pesquisa, desenvolvimento e inovação. Entre 40% e 50% da receita vem de produtos desenvolvidos nos cinco anos anteriores.
No curto prazo, a empresa concentra esforços no negócio principal e em melhorias voltadas aos clientes. No médio prazo, avalia oportunidades em satélites, radares e manutenção de turbinas. Esses serviços são prestados pela subsidiária OGMA, em Portugal, que não fabrica os equipamentos.
No longo prazo, a companhia desenvolve projetos ligados a novos modelos de negócio, incluindo veículos aéreos elétricos com pouso e decolagem vertical, conhecidos como eVTOL. A subsidiária Eve Air Mobility trabalha em uma aeronave compacta, totalmente elétrica, com capacidade para piloto e quatro passageiros. O projeto de mobilidade urbana começou em 2017 e teve o voo inaugural do protótipo no final do ano passado. A produção será realizada em Taubaté, no interior de São Paulo, e há cerca de três mil pedidos de reserva.
A Embraer também estabeleceu a meta de alcançar neutralidade de carbono nos escopos 1 e 2 até 2040. Entre as medidas estão o aumento da eficiência das aeronaves, a compra de energia de fontes renováveis e o uso de painéis solares nas fábricas. Os modelos atuais podem voar com mistura de 50% de SAF, combustível sustentável de aviação. A empresa também realizou testes bem-sucedidos com 100% de SAF em uma aeronave.







