A participação de professores temporários no ensino médio da rede pública subiu de 32,2% para 43,4% entre 2015 e 2025. O número desses profissionais passou de 146 mil para 205 mil, um crescimento de 40,4%, segundo a segunda edição da pesquisa “Apagão dos Professores: o desafio da renovação dos professores no Brasil”, do Instituto Semesp.
No mesmo período, a quantidade de professores concursados, efetivos ou estáveis caiu de cerca de 305 mil para 255 mil. A participação dessa categoria recuou de 67,2% para 54,1%. Em números absolutos, foram cerca de 50 mil docentes efetivos ou estáveis a menos, enquanto o grupo de temporários aumentou em 59 mil.
O levantamento utiliza dados do Censo da Educação e indica que o número total de docentes na Educação Básica cresceu 10,1%, de 2,1 milhões para 2,4 milhões. Já a quantidade de alunos caiu 5,7%, passando de 48,7 milhões em 2015 para 46 milhões em 2025.
Contratações temporárias
A pesquisa aponta que o aumento no total de professores ocorreu principalmente por meio de contratações temporárias. Nos últimos cinco anos, o crescimento foi associado à expansão do ensino em tempo integral, ao fortalecimento do Novo Fundeb e à flexibilização desse tipo de contratação.
Com mais docentes em relação ao número de estudantes, a razão de alunos por professor caiu de 22,3 em 2015 para 19,1 em 2025.
A edição anterior da pesquisa, divulgada em 2022, projetava que o Brasil poderia chegar a 2040 com um déficit de aproximadamente 235 mil professores na Educação Básica. Para o Instituto Semesp, o crescimento recente do número total de docentes pode indicar, em uma primeira análise, uma mudança nesse cenário. O levantamento, porém, afirma que a expansão ocorreu sobretudo com vínculos temporários, sem resolver o desafio estrutural de atração e reposição de professores.







