GOIÂNIA — O Araújo Jorge – Hospital de Câncer começou a oferecer testes moleculares capazes de identificar tipos oncogênicos do HPV para 1.200 mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Região Metropolitana de Goiânia. A iniciativa faz parte do projeto OncoHPV – Tempo é Vida, aprovado pelo Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (PRONON).
O objetivo é ampliar o diagnóstico precoce da infecção pelo papilomavírus humano, principal responsável por cânceres como o do colo do útero. As pacientes têm entre 15 e 64 anos e são encaminhadas pela Atenção Básica em casos de suspeita de HPV ou para complementar exames citopatológicos inconclusivos.
De acordo com o analista de Biologia Molecular do hospital, João Antonio Xavier Manso, o pedido do teste deve ser feito pelo profissional de saúde responsável pelo atendimento na Atenção Básica, conforme os critérios estabelecidos pelo projeto e pela rede de saúde.
Como os testes são realizados
Depois da coleta, as amostras são analisadas no Laboratório de Biologia Tumoral e Oncogenética do Araújo Jorge. O exame utiliza PCR em Tempo Real para identificar até 21 subtipos do HPV. Em situações de divergência entre o quadro clínico e o resultado, o material pode passar pelo Sequenciamento de Nova Geração (NGS).
“Essa tecnologia permite uma análise mais detalhada e de maior resolução”, explica Manso. A estrutura laboratorial foi fundada em janeiro de 2010 e atua em pesquisa e diagnóstico oncológico.
Para colocar o projeto em funcionamento, o hospital adquiriu equipamentos como extrator e purificador de material genético, termociclador de PCR em tempo real, freezers, geladeira e uma plataforma Illumina de sequenciamento de DNA de nova geração. Os aparelhos são usados na incorporação da medicina de precisão à rotina hospitalar, considerando que o HPV reúne mais de 200 tipos virais.
O projeto também prevê protocolos padronizados para as etapas de coleta, análise e entrega dos resultados. A iniciativa inclui ações de educação em saúde para reforçar a prevenção e o diagnóstico precoce de cânceres associados ao vírus.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano no triênio 2026-2028. A doença ocupa a sexta posição entre os tipos de câncer mais incidentes no país e é o terceiro mais frequente entre as mulheres.
O coordenador do projeto e de Diagnóstico e Imagem do Araújo Jorge, Cesar Vilanova, afirmou que a ampliação do uso de recursos tecnológicos é necessária para oferecer diagnóstico precoce, especializado, rápido e contínuo. Para Manso, a nova capacidade aumenta a autonomia do hospital e fortalece o rastreamento, a detecção precoce e o acompanhamento de pacientes do SUS.
Durante a pandemia de COVID-19, o laboratório também apoiou testes moleculares para diagnosticar a infecção pelo SARS-CoV-2 em unidades hospitalares de Goiás.







