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Ação em São Paulo questiona vínculos entre empresas de materiais hospitalares
Câmbio e custos

Ação em São Paulo questiona vínculos entre empresas de materiais hospitalares

Credores contestam a estrutura da Vale dos Pireneus e apontam conexões com familiares de Michel Roriz Clemente.

Uma disputa judicial envolvendo a Vale dos Pireneus Comércio de Produtos e Serviços Hospitalares levou credores a questionar a estrutura societária de duas empresas que negociam materiais hospitalares com instituições públicas. A tese apresentada é que Michel Roriz Clemente seria o beneficiário de fato das companhias, embora não apareça formalmente como sócio ou administrador. Ele nega qualquer relação com os negócios.

A cobrança começou após a Vale dos Pireneus deixar de honrar uma dívida de 5,7 milhões de reais ligada a um contrato firmado em fevereiro de 2025. O acordo previa a antecipação, por fundos de investimento, de valores de duplicatas emitidas contra hospitais. Entre os devedores estavam o Albert Einstein, por meio da unidade Hugo, em Goiânia, o Imed e a Fundação Universitária Evangélica de Anápolis.

Sociedade formal e conexões familiares

No registro da Vale dos Pireneus, o único sócio é Rui Reis Alves Júnior, ex-cunhado de Roriz. Ele afirmou, em depoimentos prestados em ao menos três reclamações trabalhistas entre 2018 e 2023, que trabalhava como supervisor de logística de uma transportadora de Uberlândia desde 2015. Também disse já ter exercido as funções de fiscal e motorista carreteiro.

Os credores sustentam que a operação teria seguido um padrão: uma empresa seria registrada em nome de um parente ou pessoa de confiança, acumularia contratos e dívidas e, depois, teria suas atividades mais rentáveis deslocadas para outra companhia. Em dezembro de 2023, foi criada a Sou Gestão Empresarial e Consultoria, conhecida como Sougemp, registrada em nome de Aline Roriz Clemente, irmã de Michel Roriz.

Aline é pedagoga e havia figurado como funcionária da Vale dos Pireneus, com salário mensal de 3 mil reais. Um levantamento cadastral identificou que 9 das 12 atividades secundárias da Sougemp coincidem com as da empresa anterior, incluindo o comércio atacadista de instrumentos e materiais hospitalares. O endereço da nova companhia em Anápolis é o mesmo informado por Roriz ao TSE como residência.

Transferências e bloqueio de valores

Documentos do processo registram que ao menos quatro trabalhadores relacionados como freelancers na Vale dos Pireneus aparecem como funcionários registrados da Sougemp na folha de janeiro de 2026. Também há um contrato de terceirização entre as empresas.

Em 28 de janeiro de 2026, a Vale dos Pireneus transferiu 11.488,45 reais à Sougemp. Em 9 de fevereiro, a empresa emitiu uma nota fiscal de 65.991,75 reais contra a Vale dos Pireneus, embora o contrato previsse valor fixo de 6,8 mil reais para o serviço.

A defesa afirmou que os pagamentos correspondiam a serviços regulares de terceirização e que o bloqueio poderia afetar salários vencidos e o fornecimento de insumos hospitalares. A juíza Adriana Cardoso dos Reis, da 37ª Vara Cível de São Paulo, rejeitou a liberação dos valores por considerar que a empresa não comprovou a inviabilidade de suas atividades. Um recurso suspendeu parte dos efeitos, mas o bloqueio continua.

A Vale dos Pireneus também questiona se os fundos que fazem a cobrança são, de fato, titulares do crédito. Parte da dívida foi cedida ao Fidussia, mas uma liminar em outro processo suspendeu deliberações internas do fundo e transferências de ativos. A Justiça manteve apenas o Fidussia como parte ativa e aguarda a conclusão da disputa paralela.

Negativas

O advogado dos credores afirmou que não existe, no Brasil, tipificação penal específica para a transferência de patrimônio entre empresas com o objetivo de evitar o pagamento de dívidas. Ele também disse suspeitar que a proximidade de Roriz com a área da saúde de Anápolis pudesse favorecer negócios com hospitais públicos, mas reconheceu não ter dados para comprovar essa hipótese.

Roriz não integra, até o momento, a execução movida pelos fundos em São Paulo. Ele negou ser sócio, proprietário ou devedor de valores relacionados às empresas e afirmou não participar do processo. Sobre a Sougemp, disse que a companhia pertence à irmã, Aline Roriz Clemente, e rejeitou a acusação de que ela seria uma sócia de fachada. Também afirmou que a coincidência de endereços não comprova participação societária.

Rui Reis Alves Júnior informou não ter nada a acrescentar e encaminhou os questionamentos ao advogado da Vale dos Pireneus, Tiago Miranda, que não respondeu. Aline Roriz Clemente não foi localizada.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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