HONG KONG — A Airbus não identificou sinais de queda na demanda por aeronaves ou nas entregas, apesar dos desafios geopolíticos e das dificuldades na cadeia de suprimentos. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (15) por Anand Stanley, presidente da fabricante para a Ásia-Pacífico.
Durante uma coletiva sobre a previsão de mercado para 2026 a 2045, Stanley afirmou que a empresa continua registrando procura elevada e disposição das companhias aéreas para receber os aviões. Segundo ele, as entregas também cresceram em diferentes regiões, incluindo o Oriente Médio.
As entregas da Airbus aumentaram 9% neste ano até o momento, na comparação com o mesmo período de 2025. Para os próximos 20 anos, a fabricante europeia estima a necessidade global de cerca de 42 mil novas aeronaves. Aproximadamente 45% desse volume deverá ser destinado à Ásia-Pacífico.
Demanda na Ásia
A projeção da Airbus aponta necessidades diferentes entre os mercados asiáticos. A China deverá demandar 8.830 novas aeronaves de passageiros nos próximos 20 anos. Para a Índia, a estimativa é de 3.480 aviões; para o restante da Ásia-Pacífico, de 6.880.
François Cabaret, chefe de previsões de mercado global da Airbus, afirmou que as companhias aéreas chinesas enfrentam dificuldade para renovar suas frotas. Antes da pandemia, elas recebiam cerca de 400 aeronaves por ano. Desde então, o total fornecido pela Airbus, pela Boeing e pela fabricante chinesa COMAC caiu para menos da metade desse volume.
A Airbus espera que o tráfego aéreo na Ásia cresça 5,1% ao ano nos próximos 20 anos. A Índia continua com a maior expansão entre os mercados de viagens aéreas: a previsão para o tráfego doméstico subiu de 8,9% para 9,3%. Já a projeção para a China caiu de 5,4% para 4,7%.
Cabaret atribuiu a revisão chinesa a fatores macroeconômicos, e não a um excesso estrutural de capacidade. A previsão também considera o surgimento de cerca de 600 novas cidades pequenas e médias nos próximos 20 anos, com potencial para gerar demanda por infraestrutura aeroportuária e novas rotas.
Stanley disse que o A220 já permitiu mais de 400 novas rotas no mundo e pode viabilizar outras 800 conexões entre cidades na Ásia-Pacífico. Na região, o A321XLR poderia abrir mais de 2.200 novas rotas potenciais.







