Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), afirmou que a autoridade monetária não está discutindo uma trajetória futura para as taxas de juros. A declaração ocorreu após o BCE elevar a taxa de referência para 2,50%, em uma decisão unânime e que representou o segundo aperto realizado neste ano.
A dirigente disse que o comitê seguirá uma abordagem baseada nos dados econômicos e nas decisões tomadas reunião a reunião. “Não debatemos nenhum tipo de trajetória futura”, afirmou Lagarde ao ser questionada sobre os próximos passos da política monetária.
Ela também destacou que o cenário econômico permanece altamente incerto, com riscos de alta para a inflação e de baixa para o crescimento. Na avaliação da presidente do BCE, a evolução dos preços e da atividade dependerá, entre outros fatores, da intensidade e da duração do choque energético provocado pelo aumento do petróleo relacionado ao conflito no Oriente Médio.
Inflação e crescimento
Lagarde afirmou que o crescimento econômico da zona do euro se mostrou mais resiliente do que o esperado no segundo trimestre, apesar dos efeitos do choque de energia. Segundo ela, a expansão foi disseminada entre países e setores, e esse padrão deve ter continuado no terceiro trimestre.
A inflação, porém, continua elevada e bem acima da meta. A projeção do BCE é que a inflação cheia retorne à meta de 2% ao ano no final de 2027, apoiada pelos efeitos das taxas de juros mais altas.
A presidente do BCE acrescentou que a permanência dos preços de energia em níveis elevados aumenta a possibilidade de uma disseminação da inflação por efeitos diretos e de segunda ordem. A estimativa da autoridade monetária é que a inflação de energia associada ao conflito no Oriente Médio e à guerra entre a Rússia e a Ucrânia mantenha o índice de preços bem acima da meta na primeira metade do próximo ano, antes de começar a cair.
Mercados financeiros
Durante a coletiva, Lagarde não comentou as intervenções do Tesouro americano no mercado de câmbio nem o aumento dos spreads nos rendimentos dos títulos de dívida pública. Ela disse que os dirigentes do BCE acompanham esses movimentos nos mercados financeiros.
“Os mercados financeiros não têm fronteiras”, afirmou a presidente, ao destacar que acontecimentos em um mercado podem gerar efeitos de transbordamento em outros.
O Tesouro americano realizou intervenções no mercado de câmbio em conjunto com o Japão para conter a desvalorização do iene. No mês passado, o secretário Scott Bessent também anunciou um programa de recompra de títulos de longo prazo.
Questionada sobre a possibilidade de deixar o cargo antes do fim do mandato e sobre especulações de que poderia liderar o Fórum Econômico Mundial, Lagarde não confirmou nenhuma das hipóteses. “Quando houver algo a relatar sobre mim pessoalmente, vocês serão os primeiros a saber”, disse.







