A ByteDance desenvolve um modelo de inteligência artificial capaz de gerar mundos virtuais em tempo real com parte do processamento concentrada na nuvem. A proposta pode diminuir a capacidade exigida dos headsets e abrir espaço para dispositivos de realidade virtual mais baratos e menos sofisticados.
O sistema foi projetado para criar ambientes interativos que respondam à voz e aos movimentos de usuários do headset Pico, divisão de realidade estendida da empresa. Uma das fontes ouvidas afirmou que o modelo poderá entregar vídeos sob demanda com latência de cerca de 0,05 segundos, a 20 quadros por segundo. A tecnologia também poderá funcionar como ambiente e interface de computação espacial.
O novo modelo é baseado no Seedance, ferramenta da ByteDance voltada à produção de vídeos cinematográficos. A empresa pretende aplicar a tecnologia em transmissões ao vivo, dramas de curta duração e jogos. O projeto é supervisionado pelo fundador Zhang Yiming, que coordena esforços de diferentes unidades e direciona recursos de inteligência artificial e capacidade computacional para o desenvolvimento.
O lançamento está previsto para o próximo mês, mas a data ainda pode mudar. A ByteDance não respondeu ao pedido de comentário.
O projeto coloca a companhia chinesa em disputa com Meta e Alphabet no desenvolvimento de modelos capazes de simular ambientes físicos para agentes de inteligência artificial. A abordagem também é associada a aplicações em robótica, jogos e carros autônomos. O modelo Genie, do Google, segue proposta semelhante ao permitir a interação com um mundo renderizado em tempo real.
A ByteDance também pode ampliar a rivalidade com Meta e Apple no mercado de dispositivos de realidade virtual e mista. A Meta trabalha na expansão do ecossistema dos headsets Quest, enquanto a Apple posicionou o Vision Pro como uma plataforma premium de computação espacial. As duas empresas enfrentam dificuldades para popularizar seus dispositivos.
A iniciativa integra uma mudança estratégica da ByteDance, sediada em Pequim, que redireciona parte das operações B2B para a produção e a geração de vídeos. Zhang vê o modelo espacial como uma forma de conectar os sistemas de IA e os recursos de computação em nuvem da companhia às plataformas de conteúdo e ao hardware da Pico.
O Seedance sustenta produtos como CapCut e Doubao, chatbot de inteligência artificial mais popular da China. A ByteDance foi fundada por Zhang Yiming e Liang Rubo em 2012 e garantiu um empréstimo de US$ 30 bilhões para ampliar sua capacidade de IA e comprar data centers e outros equipamentos.







