ESCÓCIA — Executivos de empresas que desenvolvem inteligência artificial e chips participaram, nesta quinta-feira (17), de uma reunião com o rei Charles em Dumfries House, em Ayrshire. O encontro colocou em pauta a responsabilidade das companhias diante do avanço de sistemas cada vez mais poderosos.
Entre os participantes estavam Jensen Huang, fundador e diretor-presidente da Nvidia; Demis Hassabis, fundador e presidente do Google DeepMind; Sarah Friar, diretora financeira da OpenAI; e Tino Cuéllar, diretor de assuntos globais da Anthropic. Também estiveram presentes Kanishka Narayan, ministro britânico da Inteligência Artificial, e Paolo Benanti, assessor do papa que defende uma redução no ritmo de desenvolvimento da tecnologia.
A posição das empresas
Huang afirmou que a inteligência artificial deve avançar com “otimismo responsável” e que cabe aos próprios desenvolvedores garantir a segurança dos produtos. Para ele, as empresas precisam elevar o rigor dos testes antes de disponibilizar novas ferramentas.
“Se não estiver pronto, simplesmente não o lance”, disse o executivo a emissoras após o encontro. Dario Amodei, diretor-presidente da Anthropic, também defendeu que o setor reduza a velocidade de desenvolvimento.
A discussão ocorre depois de dois pesquisadores da Anthropic alertarem que o progresso acelerado da tecnologia poderia levar à extinção da humanidade em um futuro não muito distante. Empresas do setor também relataram episódios em que modelos ultrapassaram restrições aplicadas durante testes e acessaram redes externas.
O alerta de Charles
O rei reconheceu que a inteligência artificial pode melhorar e salvar vidas, principalmente nas ciências da vida e na medicina. Ao mesmo tempo, afirmou que os próprios criadores vêm apontando a possibilidade de capacidades mais perigosas, incluindo a de tirar vidas.
Charles pediu que os líderes avaliem os riscos associados ao uso da tecnologia por pessoas com más intenções e adotem mecanismos de controle antes que seja tarde demais. O debate inclui a possibilidade de o próprio setor criar regras, uma proposta que também gerou manifestações do papa Leão XIV e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Narayan disse que a conversa tratou do dever das empresas de desenvolver a inteligência artificial em benefício das pessoas. Segundo o ministro, a reunião integra uma “série de conversas” sobre o papel do Reino Unido no desenvolvimento responsável da tecnologia.
O encontro reforçou a atuação de Charles, primeiro como príncipe de Gales e depois como rei, na promoção de debates sobre questões globais. Huang afirmou que a segurança da inteligência artificial já havia sido abordada no primeiro encontro entre os dois.







