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Gerdau vê resultados maiores na América do Norte e reduz expansão no Brasil
Foto: Julio Bittencourt/Valor
Câmbio e custos

Gerdau vê resultados maiores na América do Norte e reduz expansão no Brasil

Operação nos Estados Unidos respondeu por 76% do Ebitda da companhia no primeiro semestre de 2026, enquanto o Brasil teve queda nas vendas.

A operação da Gerdau na América do Norte respondeu por 76% do Ebitda ajustado da companhia no primeiro semestre de 2026. O Brasil contribuiu com 20%, em um período marcado pela queda nas vendas e pela pressão do aço importado, especialmente da China.

No semestre, a divisão que reúne Estados Unidos, Canadá e México vendeu 2,62 milhões de toneladas de aço, alta de 5,6% ante o mesmo período de 2025. A receita líquida chegou a R$ 19,5 bilhões, e o lucro bruto foi de R$ 4,25 bilhões.

No Brasil, foram comercializadas 2,67 milhões de toneladas de aço bruto, recuo de 4% na comparação anual. A receita líquida somou R$ 12,96 bilhões, enquanto o lucro bruto ficou em R$ 547 milhões. No conjunto das operações, o Ebitda ajustado alcançou R$ 6,39 bilhões, crescimento de 28,7%.

Expansão concentrada nos Estados Unidos

A diferença de desempenho orienta a distribuição dos investimentos. A Gerdau aplica R$ 1,2 bilhão na unidade de Midlothian, no Texas, para elevar em quase 15% a capacidade anual de aços longos, até 2 milhões de toneladas por ano. A conclusão está prevista para este ano, com potencial de acrescentar R$ 275 milhões ao Ebitda.

Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, afirmou que a empresa deve anunciar novos aportes de expansão nos Estados Unidos. Para ele, o país passa por reindustrialização e registra demanda crescente por aço. A companhia identifica avanço das vendas para infraestrutura, energia e tecnologia da informação, impulsionado pela construção de data centers.

Segundo o American Iron and Steel Institute (AISI), o consumo aparente de aço nos Estados Unidos cresceu 1,8% em 2025. A projeção para 2026 é de expansão de 3%. As siderúrgicas que fabricam no país ampliam as vendas internas em cerca de 5% ao ano, ocupando espaço deixado pelo aço importado após medidas protecionistas do governo americano.

Brasil opera com capacidade reduzida

O plano de investimentos da companhia para 2026 soma R$ 4,7 bilhões. No mercado brasileiro, a maior parte dos recursos será destinada à manutenção e a medidas para elevar produtividade e competitividade. “Paramos de investir para crescer no Brasil”, disse Werneck.

A Gerdau tem capacidade de produzir 7,9 milhões de toneladas anuais de aço bruto, mas utiliza 70% desse volume. A taxa média de ocupação da indústria siderúrgica brasileira foi de 64% no primeiro semestre de 2026, segundo o Instituto Aço Brasil. Em 2025, a produção nacional de aço bruto caiu 2,2%, enquanto as importações de aços laminados avançaram 20,5%.

Em agosto, a companhia readequou a unidade de Pernambuco. A aciaria e a laminação foram desativadas, e a planta passou a concentrar as atividades em trefilados, como telas, arames e pregos. Em 2024, a unidade Barão de Cocais (MG) havia entrado em hibernação para reduzir custos fixos.

O Instituto Aço Brasil calcula que a participação dos importados no mercado nacional chegou a 21% em 2025, o dobro do patamar histórico de 10%. No início de 2026, o governo federal adotou medidas de defesa comercial para 19 tipos de produtos siderúrgicos, com cotas e taxas. As importações caíram 18% no primeiro semestre, mas ainda representaram 19% do mercado.

Reciclagem e mineração

A companhia também mantém investimentos ligados à produção e à redução de emissões. Em Pindamonhangaba (SP), aplica R$ 450 milhões em um centro de reciclagem de aço capaz de processar novos tipos de sucata. Atualmente, 70% do aço produzido pela Gerdau usa sucata ferrosa como insumo.

A emissão registrada pela empresa é de 0,85 tonelada de dióxido de carbono equivalente por tonelada de aço, ante média global de 1,92 tonelada, conforme a World Steel Association.

No segundo semestre, a Gerdau prevê acelerar as atividades comerciais do projeto de mineração sustentável Miguel Burnier, em Ouro Preto (MG). A estimativa é de gerar R$ 1,1 bilhão por ano em Ebitda. A mina terá capacidade anual de 5,5 milhões de toneladas de minério com teor de ferro de 65%.

O projeto prevê empilhamento seco dos rejeitos e transporte do minério até a usina de Ouro Branco (MG) por um mineroduto de 13 quilômetros. A estrutura deve evitar o uso de 400 caminhões por dia e a emissão de 17 mil toneladas de CO2 por ano.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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