ALEXANDRIA, VIRGÍNIA — O Google terá de alterar práticas em seu negócio de publicidade digital e manter um monitor interno de conformidade antitruste por seis anos. A determinação foi tomada pela juíza distrital dos EUA Leonie Brinkema, de Alexandria, Virgínia, em uma decisão de 106 páginas divulgada nesta quarta-feira (16).
A medida não inclui a venda da AdX, plataforma em que editores pagam uma taxa de 20% para participar de leilões instantâneos de anúncios quando usuários acessam páginas da internet. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos havia pedido que o Google se desfizesse do serviço, mas Brinkema rejeitou essa exigência duas semanas após negar a separação do negócio de veiculação de anúncios da empresa.
Regras para sites e servidores
A juíza aceitou propostas para impedir que o Google obrigue sites que usam seu servidor de anúncios a adotar também a AdX. A empresa deverá ainda encerrar práticas que, conforme relatos de editores, mantinham esses clientes vinculados às ferramentas de tecnologia publicitária do grupo.
Brinkema considerou que permitir o acesso aos lances em tempo real da AdX por meio de outros servidores de anúncios para editores de sites pode restaurar a concorrência. Na decisão, ela afirmou que as medidas serão suficientes para abrir os mercados afetados e evitar o retorno de práticas anticompetitivas.
A magistrada disse que o monitor interno é necessário diante da gravidade das violações antitruste atribuídas ao Google. O mecanismo, porém, terá menos poderes de supervisão do que os defendidos pelo governo.
Recurso e próximos prazos
O Google informou nesta quarta-feira que discorda da decisão relacionada à ferramenta Google Ad Manager e que vai recorrer. A empresa também declarou que uma cisão teria dificultado o acesso de pequenas empresas a clientes.
A decisão evita o desmembramento de mais uma parte dos negócios de internet do Google, sediado em Mountain View, Califórnia. A Alphabet tem valor de mercado superior a US$ 4,1 trilhões.
Brinkema deu às partes 14 dias para pedir a retirada de informações confidenciais da decisão e 30 dias para apresentar uma proposta de sentença final. O prazo das medidas ficou em seis anos, abaixo dos 15 anos solicitados pelo Departamento de Justiça e por Estados que também processaram a empresa.






