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Patagônia argentina entra no radar de investidores em centros de dados
Foto: Bloomberg
Câmbio e custos

Patagônia argentina entra no radar de investidores em centros de dados

Neuquén, Chubut e Buenos Aires concentram projetos ligados à energia, ao clima frio e à expansão da inteligência artificial.

A Patagônia argentina passou a atrair empresas interessadas em instalar centros de dados, impulsionadas pela combinação de temperaturas baixas, fontes de energia renovável, gás de xisto e grandes áreas disponíveis. Os projetos ainda estão em fases iniciais e avançam enquanto investidores avaliam a infraestrutura e o cenário regulatório do país.

A expansão ocorre em meio à corrida global dos chamados hiperscalers, grandes empresas que constroem e operam servidores. Nos Estados Unidos, centros desse tipo enfrentam críticas por pressionarem redes elétricas, afetarem o meio ambiente e elevarem as contas de energia. Na Argentina, onde ainda não existem grandes instalações desse porte, a reação negativa não ganhou a mesma força.

Defensores dos empreendimentos afirmam que os centros são necessários para o crescimento da inteligência artificial, podem gerar arrecadação tributária local e têm potencial para operar com fontes mais sustentáveis.

Projetos em Neuquén e Chubut

Na província de Neuquén, a Pampa Energia promove um centro de dados próximo à termelétrica Loma de la Lata, controlada pela própria empresa. A instalação poderia consumir até 500 megawatts de energia fornecida pela região de Vaca Muerta, uma das maiores formações de gás de xisto do mundo, de acordo com Ruben Turienzo, diretor comercial de eletricidade da companhia.

A empresa começou a analisar o projeto depois de receber consultas sobre possíveis centros de dados no início deste ano. Comunidades indígenas mapuches vivem na área rural, que tem histórico de conflitos com empresas de energia. “Começamos a perceber que havia um interesse um pouco mais concreto”, afirmou Turienzo.

Neuquén também recebeu consultas da FlexDomes, empresa norte-americana que busca investidores para uma instalação voltada a centros de dados sustentáveis. A primeira fase teria carga de tecnologia da informação de 120 MW e custo de US$ 1,4 bilhão. O empreendimento usaria energia de Vaca Muerta, segundo Gabriel Obrador, representante da empresa na Argentina.

Na província de Chubut, a Green Capital anunciou em julho um projeto que chegaria a 300 MW na primeira fase, com investimento estimado em US$ 3 bilhões. A capacidade poderia alcançar 3.000 MW no futuro, conforme Marta Zlotkowska, diretora de desenvolvimento internacional e centros de dados da empresa.

A companhia arrenda cerca de 1.298 quilômetros quadrados ao sul de Trelew para construir parques eólicos e solares. O plano é evitar o uso da rede nacional, mas depende da entrada de investidores. A Green Capital pretende solicitar um regime de investimento em 2027.

Energia e incentivos

A Pampa Energia apresenta propostas de preço da eletricidade a possíveis clientes e espera fechar acordos iniciais até o fim de 2026. Antes de uma expansão maior, os investidores avaliam um projeto-piloto entre 20 MW e 40 MW. A estrutura elétrica necessária para chegar a 500 MW custaria quase US$900 milhões, segundo Turienzo.

O clima de Neuquén pode reduzir gastos com refrigeração, enquanto a província tem acesso à energia hidrelétrica e ao gás de Vaca Muerta, afirmou Ruben Etcheverry, secretário do conselho de desenvolvimento local. Para ele, a primeira instalação poderia abrir caminho para um conjunto maior de empreendimentos.

A Argentina tenta aproveitar uma conjuntura econômica mais estável sob o presidente Javier Milei, que assumiu em dezembro de 2023. O regime de incentivos RIGI oferece benefícios fiscais e estabilidade regulatória, além de ter ajudado a atrair investimentos para petróleo e mineração.

A OpenAI anunciou em outubro passado uma parceria com a empresa argentina Sur Energy para construir um centro de dados movido a energia limpa. O projeto teria custo de até US$ 25 bilhões e capacidade de até 500 MW. Em julho, a agência de comunicações argentina informou que planeja criar uma segunda estação de aterramento de cabos de fibra óptica para ampliar a receptividade da Patagônia a esse tipo de empreendimento.

Hoje, a Argentina conta apenas com centros de dados pequenos, concentrados em Buenos Aires. Países vizinhos também avançam no setor: a Amazon trabalha em uma grande instalação no Chile, a Alphabet constrói uma no Uruguai e o Paraguai divulgou, em maio, planos para um centro apoiado por Taiwan.

Na província de Buenos Aires, a Pampa Energia se comprometeu a fornecer 30 MW para a primeira fase de um centro de dados em uma zona de livre comércio de Bahía Blanca. O local é conhecido pela geração eólica, e a concessionária da área espera concluir acordos de investimento até o fim de 2026.

Parte dos investidores, porém, pode aguardar a eleição presidencial de 2027 e a possível aprovação do Super RIGI, proposta que ampliaria as reduções fiscais. “Mas dizer que se tem energia não é suficiente”, disse Hadassa Lutz, cofundadora da consultoria norte-americana Cloud2Ground.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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