O mercado financeiro repercute a decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. O comunicado manteve aberta a possibilidade de novos cortes, mas dividiu os agentes entre uma pausa na próxima reunião e outra redução, em meio à desaceleração da economia brasileira e às pressões inflacionárias globais.
Reinaldo Le Grazie, sócio da Panamby Capital e ex-diretor de política monetária do Banco Central, avalia que a política econômica definida após as eleições presidenciais de outubro será o principal foco dos investidores. Na análise dele, o ambiente de juros elevados nas economias desenvolvidas terá peso menor no curto prazo. Le Grazie projeta a Selic em 13,25% no fim deste ano e em 11,25% em 2027.
Já Aurélio Bicalho, economista-chefe da Vinland Capital, considera necessário identificar se a maior preocupação do Banco Central está na desaceleração da atividade econômica ou no cumprimento da meta de inflação. Para ele, o Copom deveria suspender o ciclo de cortes na reunião de novembro.
Exterior e mercado local
A primeira alta dos juros do Federal Reserve (Fed) desde 2023 dá sustentação ao dólar, que permanece perto da maior cotação em sete semanas. Por volta das 8h, o índice DXY recuava 0,05%, aos 100,208 pontos, ao medir a força da moeda americana diante de uma cesta de seis divisas fortes.
As bolsas globais avançavam. O futuro do S&P 500 subia 0,87%, enquanto o do Nasdaq ganhava 1,08%. Entre os títulos de renda fixa, o rendimento dos Treasuries de dez anos caiu de 5,023% para 4,9772%. O retorno da T-bond de 30 anos recuou de 5,365% para 5,319%.
O petróleo também registrava baixa. O Brent para entrega em novembro recuava 2,58%, a US$ 103,06 por barril. A Arábia Saudita busca recuperar cerca de metade da capacidade do oleoduto Leste-Oeste nos próximos dias e retomar totalmente as operações em seis semanas.
No Brasil, os investidores ainda acompanham a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o pedido de investigação do ministro Alexandre de Moraes e possíveis impactos eleitorais. Pesquisas que apontam acirramento entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) também permanecem no radar.







