MINAS GERAIS — A internet já permite que 68,9% das empresas mineiras que vendem on-line alcancem consumidores de outras cidades. O comércio eletrônico também chega a 33,8% dos negócios com vendas para outros estados e a 8,6% com operações para outros países, segundo a pesquisa E-commerce 2026, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG).
No varejo do estado, 51,1% das empresas têm presença on-line. Entre elas, 72,9% já vendem pela internet e 4,3% pretendem começar. A demanda dos consumidores é o principal motivo para atuar no segmento, apontada por 43,7% dos entrevistados. A percepção de que o comércio eletrônico é uma tendência aparece em 42,4%, enquanto a ampliação do alcance do negócio foi citada por 19,9%.
Redes sociais lideram a presença digital
As redes sociais estão presentes em 86,1% dos negócios. Entre as empresas que usam essas plataformas, 99,2% estão no Instagram, 33,1% no Facebook e 3,8% no Messenger e no TikTok. A divulgação de ações da loja é uma finalidade para 87,6% das empresas, e a apresentação de produtos aparece em 86,7%.
O WhatsApp Business é usado nas vendas por 71,5% das empresas. Dessas, 54,8% fecham a venda e recebem pelo próprio aplicativo, enquanto 33,1% concluem a negociação no WhatsApp, mas recebem por outro meio. O catálogo é utilizado por 20,2%.
Os marketplaces ainda têm adesão menor: 84,1% afirmam não operar nessas plataformas e 14,6% já estão presentes. Entre as empresas que utilizam esse canal, 54,5% vendem pelo Mercado Livre, 31,8% pelo iFood, 18,2% pela Amazon e 4,5% pela Temu.
Integração com a loja física
A pesquisa mostra que 70,9% das empresas oferecem retirada de produtos na unidade física e 21,2% permitem trocar no estabelecimento itens comprados pela internet. Outros 25,2% ainda não integraram os canais de venda.
Para a economista da Fecomércio-MG Gabriela Martins, o comércio eletrônico funciona, em muitos casos, como extensão da operação tradicional. “Vender on-line não significa abandonar a loja física”, afirma. Entre os negócios que vendem pela internet, 49,7% atuam nesse canal há entre três e cinco anos, 29,1% estão presentes há entre cinco e dez anos e 11,3% têm entre um e dois anos de atividade.
O Pix é aceito por 88,7% das empresas entrevistadas. Na sequência aparecem cartão de crédito, com 51,7%, e cartão de débito, com 41,7%. As compras pela internet são mensais para 37,1% dos negócios e semanais para 28,5%.
Planejamento aparece entre os obstáculos
Entre as empresas que ainda não atuam no comércio eletrônico, mas pretendem ingressar, 88,9% apontam a falta de planejamento como entrave e 44,5% mencionam a falta de tempo. No grupo que não pretende vender pela internet, 40,4% citam falta de interesse, 27,7% preferem o modelo presencial e 17% mencionam falta de planejamento ou conhecimento.
A pesquisa, realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência e Pesquisa da Fecomércio-MG, mostra ainda que 48,3% dos entrevistados não enfrentam dificuldades na gestão do e-commerce. Entre os desafios citados estão concorrência, com 11,9%, planejamento, com 10,6%, marketing, com 9,3%, gestão de estoque, com 8,6%, mão de obra especializada, com 6,6%, e logística, com 4,6%.
Gabriela Martins avalia que a expansão digital exige organização de estoque, definição de preços, marketing e capacidade de atendimento. Para ela, a integração entre os canais é o caminho para transformar a presença on-line em estratégia de negócios.







